O prefeito Álvaro Dias tem afirmado em entrevistas e demais aparições públicas que ainda não decidiu quem
apoiará para governador porque está focado totalmente na gestão. Na semana passada, chegou a declarar até que, se a eleição for atrapalhar sua administração, ele poderá ficar neutro na disputa. Seu objetivo número um, diz ele, é governar bem Natal.
Não é o que parece, no entanto. Ontem mesmo, sem a menor cerimônia, a gestão de Álvaro Dias anunciou oficialmente que vai adiar (de novo) o lançamento do edital da licitação do transporte público – tema da maior importância e urgência do seu governo, mas que não vem merecendo a atenção devida.

Na falta de uma desculpa melhor, a prefeitura alegou que o novo atraso é decorrência da alta no preço do óleo diesel, como se o lançamento do edital da licitação (que é um modelo de negócio) dependesse dessa questão e como se isso (o aumento dos combustíveis) não fosse sabido há pelo menos um ano.
A verdade é que Álvaro Dias não trata a questão do transporte como prioridade. Não se vê o prefeito comandar uma reunião sequer para tratar desse assunto, terceirizando as falas sobre o tema para a secretária de Mobilidade Urbana, que já deu três prazos para a licitação só neste ano.
Por alguma razão que ainda não revelada, a gestão municipal ignora o sofrimento do usuário do transporte público e não apresenta uma proposta para enfrentar essa questão. A manutenção do atual modelo não interessa a ninguém, nem
ao usuário, nem às próprias empresas, que clamam por uma alternativa. Um novo modelo para o transporte – que virá no edital da licitação – é urgente. Não dá para continuar na situação atual, em que empresas simplesmente deixam de rodar linhas porque não têm recursos suficientes para cobrir todos os custos, como combustível, manutenção dos
veículos e pagamento de obrigações com os trabalhadores. Já tem empresa que não aguentou
segurar o tranco e fechou as portas. Outras vão fechar se nada for feito.
Álvaro Dias, que alega priorizar a gestão, parece cruzar os braços para o assunto. Bairros inteiros ficam sem transporte, e nada acontece. Ônibus sucateados circulam pelas ruas, e nada acontece. Itinerários são modificados, e a STTU às vezes só sabe depois. Isso sem falar na falta de estrutura para os usuários, como a ausência de abrigos decentes.
Chega! É preciso dar um basta a essa questão. Natal não pode mais ficar parada no tempo, mantendo um sistema desenhado para uma cidade de 30 anos atrás. Empresas não podem mais continuar operando como estão atualmente, quase na clandestinidade. É muito amadorismo para essa questão.
Exemplos bem-sucedidos pelo País afora é só o que há. Se a prefeitura não tem capacidade de criar um novo e melhor, que copie algum e comece logo a implementar.