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Margem sob pressão

Lucro deve cair para 56,9% das indústrias nos próximos meses, e quase metade quer subir preços

Pesquisa da CNI mostra que 47,7% das empresas pretendem reajustar preços de venda e que 51,9% vão precisar de mais crédito para pagar fornecedores
Agora RN
04/11/2026 | 17:29

Mais da metade das indústrias brasileiras espera ganhar menos nos próximos três meses. Segundo a Consulta Empresarial sobre Juros, Crédito e Custos Financeiros, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 56,9% das empresas projetam redução ou forte redução do percentual de lucro, quase quatro vezes os 15,9% que esperam ampliar a margem líquida. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira 4 pela Federação das Indústrias do RN (FIERN), mostra também que quase metade do setor pretende reajustar preços. O levantamento saiu no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia a nova taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano.

Preços

De acordo com a CNI, 47,7% das indústrias pretendem aumentar ou aumentar fortemente os preços de venda no próximo trimestre. Outros 47,7% planejam mantê-los, e só 4,5% pensam em reduzi-los. Na edição anterior da consulta, feita entre 18 e 28 de agosto com 179 empresas de 28 setores, 35% planejavam aumentar preços e 53% pretendiam mantê-los. A expectativa de queda do lucro ficou praticamente estável: em agosto, 57% previam margem menor; em junho, eram 64%.

Trabalhador solda peças em linha de produção das indústrias brasileiras
Trabalhador solda peças em linha de produção industrial — Miguel Ângelo/CNI

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Crédito

A pressão financeira aparece também na necessidade de financiamento. Para 51,9% das empresas, vai crescer a demanda por crédito para pagar fornecedores; 41,1% esperam precisar de mais recursos para estoques, e 44,3% devem recorrer mais ao crédito para cobrir contas a receber. Entre as que preveem essa necessidade maior, 56,1% esperam juros mais altos nas contas a pagar, 50% nos estoques e 34,3% nas contas a receber.

“Mesmo com o Banco Central fazendo cortes na taxa Selic, os juros continuam altos e o ambiente de crédito é restritivo”, afirmou a analista de Políticas e Indústria da CNI Maria Virgínia Colusso.

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Dívida

O saldo da dívida bancária, por outro lado, tende a ficar estável. Entre as empresas que responderam a essa pergunta, 42,1% projetam manter o endividamento no nível atual, 28,9% esperam aumento e 28,9%, redução. A fatia das que preveem dívida maior vem caindo ao longo do ano: era de 45% em junho e de 32% em agosto, segundo as edições anteriores da consulta.

Próximos passos

A decisão do Copom sai na noite desta quarta-feira 4 e define o custo do dinheiro que pesa sobre as margens das indústrias. A Selic é a referência para os juros cobrados nos empréstimos às empresas, inclusive nas linhas de capital de giro usadas para pagar fornecedores e formar estoques. A próxima edição da consulta da CNI vai mostrar se as projeções de lucro, preços e endividamento se confirmaram no fim do ano.

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