A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno deslocou o centro das articulações políticas para o Congresso Nacional. A escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, em fevereiro, será decisiva para definir as condições de governabilidade do quarto mandato. Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) aceleraram a busca pela recondução, enquanto o PL procura transformar sua força parlamentar em influência sobre o comando das Casas. Lula recebeu os dois na segunda-feira 26 e comunicou o apoio petista à permanência deles.
Na Câmara, Motta saiu fortalecido dos primeiros movimentos após a eleição. O presidente afirma reunir o respaldo de 13 partidos, incluindo União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos, além de legendas de esquerda, como PDT e PSB. A composição atravessa os palanques presidenciais e mostra que a disputa interna segue uma lógica própria: siglas que apoiaram candidatos diferentes podem convergir na distribuição dos espaços de direção do Legislativo.

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Nesta terça-feira 27, o PT avançou nessa direção. A bancada fechou apoio à reeleição de Motta, com anúncio formal previsto até quarta-feira 28. Diferentemente da eleição anterior, quando os petistas buscaram compromisso para impedir a votação da anistia, a adesão deverá ocorrer sem condicionantes públicas sobre uma pauta específica. A decisão amplia a sustentação do atual presidente e aproxima o partido de Lula de um bloco de centro que já trabalha por sua continuidade.
Outro movimento favorável a Motta foi a desistência de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). O líder do partido vinculava sua candidatura à vitória de Flávio Bolsonaro e recuou depois da derrota presidencial. “Eu sempre falei que seria presidente da Câmara se o Flávio ganhasse. Não tenho interesse em ser candidato com Lula”, declarou. O PL pretende reunir a bancada para decidir entre apoiar Motta ou buscar outra alternativa. A retirada de Sóstenes, portanto, reduz um obstáculo, mas ainda não equivale à adesão partidária.
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Com 121 deputados, o PL terá a maior bancada da Câmara. Essa dimensão assegura capacidade de negociação, embora esteja distante de permitir uma eleição isolada. A legenda também avalia concentrar esforços no Senado e negociar seu posicionamento na Câmara dentro de um entendimento mais amplo. A estratégia enfrenta a dificuldade de convencer partidos de centro a abandonar presidentes que já controlam a interlocução institucional e a organização das respectivas Casas.
No Senado, Alcolumbre recebeu nesta terça-feira o apoio formal de União Brasil e PP. A nota assinada pelos dirigentes Antônio Rueda e Ciro Nogueira defende sua permanência como garantia de diálogo, equilíbrio político e independência parlamentar. A federação reunirá 12 senadores em 2027. O anúncio fortalece o atual presidente e cria um obstáculo para Tereza Cristina (PP-MS), que pretende disputar o cargo mesmo diante da orientação da direção de seu partido.
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A oposição tenta evitar a dispersão entre Tereza e Rogério Marinho (PL-RN). Os dois articulam a escolha de um nome competitivo contra Alcolumbre. Marinho aposta na força da bancada liberal e no crescimento da direita. Tereza é vista por interlocutores como uma alternativa com maior capacidade de conquistar votos de centro. Para vencer, qualquer candidatura precisará alcançar 41 dos 81 senadores; a bancada do PL, sozinha, não resolve a disputa.
A orientação de União e PP tampouco assegura unanimidade. Há resistência entre senadores ligados ao bolsonarismo, e a votação secreta permite divergências em relação às cúpulas partidárias. Tereza manteve sua disposição de concorrer, enquanto Marinho contestou a capacidade dos dirigentes de entregar os votos anunciados. Alcolumbre calcula chegar a 48 apoios, mas esses números são estimativas políticas, sujeitas às negociações até fevereiro.
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Nas demais legendas, o presidente do Senado trabalha com apoio do PT e com manifestações favoráveis de lideranças do MDB e do PSD. Eduardo Braga e Otto Alencar já sinalizaram respaldo. Republicanos e Podemos também entraram nas conversas, sem que isso permita tratar suas bancadas como blocos fechados. A prioridade de Alcolumbre é reunir centro e governistas, alcançando ainda votos individuais fora desse agrupamento.
O cenário indica uma disputa mais aberta no Senado do que na Câmara. Para Lula, preservar interlocutores conhecidos reduz riscos, mas não garante aprovação automática de sua agenda. Para o PL, conquistar uma presidência seria uma forma de compensar a derrota presidencial. As negociações agora definirão quanto da força obtida nas urnas cada campo conseguirá converter em poder parlamentar.