BUSCAR
BUSCAR
Editorial

O tráfego de votos no segundo turno

Editorial
23/10/2026 | 01:55

A nova pesquisa Exatus sobre a corrida eleitoral no Rio Grande do Norte mostra um intenso tráfego de votos entre os candidatos. O cruzamento entre a escolha declarada no primeiro turno e a preferência atual revela movimentos que ajudam a explicar o empate técnico na reta final. Na média geral, Allyson Bezerra (União) aparece com 46,08%, e Cadu de Lula (PT), com 43,37%, na estimulada. Outros 5,64% indicam nenhum, branco ou nulo, e 4,92% não sabem. O equilíbrio resulta de forças que atuam em direções diferentes.

O deslocamento mais expressivo ocorre entre os eleitores de Álvaro Dias (PL). Dos entrevistados que disseram ter votado nele, 75,8% agora escolhem Allyson, enquanto 9,5% preferem Cadu. Nesse grupo, 10,3% indicam nenhum, branco ou nulo, e 4,4% permanecem indefinidos. É um contingente relevante: Álvaro encerrou sua participação com 530.580 votos, equivalentes a 26,71% dos válidos. A disputa por essa parcela do eleitorado tornou-se central para os dois finalistas.

Urna eletrônica dentro de cabine de votação, em foto de arquivo
Urna eletrônica em foto de arquivo — Foto: José Aldenir/Agora RN

Leia mais: Allyson e Cadu chegam em empate técnico à reta final do segundo turno

A preferência por Allyson encontra uma explicação política plausível na identidade de oposição ao governo estadual compartilhada pelas duas candidaturas no primeiro turno. Diante da desaprovação da gestão Fátima Bezerra, é natural que parte considerável desse eleitorado procure outra alternativa ao PT. A transferência, contudo, não é automática nem integral. Os números mostram que há eleitores de Álvaro disponíveis para Cadu, inclinados a rejeitar ambos ou ainda sem decisão.

No sentido contrário, Cadu atrai parte dos que escolheram Allyson. Entre os entrevistados que declaram esse voto anterior, 82% permanecem com o candidato do União, mas 14,7% agora preferem o petista. Outros 0,6% indicam nenhum, branco ou nulo, e 2,6% não sabem. Assim, Allyson recebe uma parcela expressiva dos votos antes destinados a Álvaro, ao mesmo tempo que precisa conter perdas dentro da própria base.

Leia mais: Exatus mostra transferência de votos de Álvaro no segundo turno

Uma hipótese para esse movimento é o reforço da associação entre Cadu e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Majoritário no eleitorado potiguar, o presidente oferece ao candidato estadual uma possibilidade de aproximação com pessoas que votaram nele para a Presidência, mas escolheram Allyson para governador. A campanha conjunta pode estimular a revisão dessa combinação.

Cadu também apresenta maior retenção: 95% dos que afirmam ter votado nele continuam com sua candidatura. Apenas 3,2% agora escolhem Allyson, enquanto 0,4% indicam nenhum, branco ou nulo, e 1,4% não sabem. A combinação entre preservar a base e conquistar antigos eleitores do adversário ajuda a compensar a vantagem de Allyson entre os apoiadores de Álvaro. Esse vaivém é decisivo para compreender a fotografia atual, embora ainda não determine o resultado de domingo 25.

Há espaço de disputa também fora das bases dos candidatos. Entre os que declaram voto branco ou nulo no primeiro turno, 51,7% repetem essa posição ou indicam nenhum. Allyson recebe 12,8%, e Cadu, 11,3%, enquanto 24,2% não sabem. Entre os que não compareceram, Allyson tem 39,8%, contra 29,5% de Cadu; nenhum, branco ou nulo somam 16,9%, e a indefinição chega a 13,8%.

Leia mais: Governo do RN amplia frota em 40% e libera passagem para cidade vizinha ao local de votação

Já entre os que votaram em outros candidatos ou não lembram a escolha, 41,8% estão indefinidos. Allyson registra 27,7%, Cadu tem 23,1%, e nenhum, branco ou nulo reúne 7,4%. Esses recortes exigem cautela: as margens são de 4,3 pontos nos grupos de Allyson e Cadu, 6,6 entre os de Álvaro, 12 entre brancos e nulos, 10 entre ausentes e 18,3 entre outros ou os que não lembram.

A possibilidade de novas alterações convive com escolhas bastante consolidadas. Entre os atuais apoiadores de Allyson, 95,1% consideram o voto definitivo; entre os de Cadu, são 97,2%. Admitem mudar, respectivamente, 4,6% e 2,5%. Entre nenhum, branco ou nulo, 11,9% podem rever a posição. Cada percentual corresponde ao próprio grupo.

Leia mais: MEC assina contrato de R$ 85 milhões para novo bloco no Onofre Lopes

No primeiro turno da eleição para o Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra recebeu 733.809 votos (36,94% dos válidos), Cadu de Lula somou 718.300 (36,16%) e Álvaro Dias obteve 530.580 (26,71%). Foram registrados ainda 76.524 votos em branco e 104.522 nulos, totalizando 181.046 votos nessas duas modalidades. Outros 488.493 eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 18,39% do eleitorado potiguar.

A Exatus, contratada pelo Grupo Agora RN, entrevistou 1.500 eleitores entre segunda-feira 19 e quarta-feira 21. A margem geral é de 2,53 pontos, com confiança de 95%, e os registros são RN-01134/2026 e BR-05704/2026. A fotografia é de equilíbrio: conquistar adesões, conter perdas e garantir comparecimento seguem tarefas inseparáveis.