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Editorial

A hora da decisão

Editorial
24/10/2026 | 09:55

Os eleitores do Rio Grande do Norte voltam às urnas neste domingo 25 para escolher quem vai suceder a governadora Fátima Bezerra (PT) a partir de 6 de janeiro de 2027. Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT) se enfrentam em uma disputa pelo comando do Estado. A escolha do próximo governador ocorrerá junto com a definição da Presidência da República, em uma eleição na qual alianças nacionais e interesses locais se cruzam, sem eliminar a autonomia do eleitor.

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Eleitor aguarda atendimento em seção de votação
Seção eleitoral em imagem de arquivo; eleitores do RN voltam às urnas neste domingo — Foto: Belita Lira

O primeiro turno mostrou a proximidade entre os finalistas. Allyson recebeu 733.809 votos, equivalentes a 36,94% dos válidos, e Cadu somou 718.300, ou 36,16%. A diferença foi de 15.509 votos. Álvaro Dias (PL), com 530.580 votos e 26,71%, deixou um contingente importante em disputa. Desde então, os candidatos buscaram adesões e intensificaram o contato com eleitores, especialmente nos maiores municípios. Apoios oferecem estrutura, mas sua capacidade de transferência será conhecida nas urnas.

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A pesquisa Exatus divulgada na quinta-feira 22 reforçou o cenário competitivo. Allyson aparece com 46,08% das intenções de voto, e Cadu, com 43,37%; nenhum, branco e nulo somam 5,64%, enquanto 4,92% não sabem. Nos votos válidos, os percentuais são 51,51% e 48,49%, respectivamente. O empate técnico considera margem de erro de 2,53 pontos percentuais. Foram ouvidos 1.500 eleitores entre os dias 19 e 21, com confiança de 95%, sob os registros RN-01134/2026 e BR-05704/2026. A pesquisa retrata aquele período; a votação definirá o resultado.

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Allyson construiu sua carreira política a partir de Mossoró. Engenheiro formado pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido, nasceu na zona rural do município, foi eleito deputado estadual em 2018 e prefeito em 2020, conquistando a reeleição em 2024. Na disputa estadual, apresenta a experiência municipal como demonstração de capacidade administrativa. Seu desafio é convencer o eleitor de que poderá adaptar essa experiência à dimensão do governo potiguar e às necessidades de seus 167 municípios.

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Cadu tem formação em Engenharia da Computação, mestrado em Engenharia de Produção e carreira como auditor fiscal. Comandou a Tributação estadual desde janeiro de 2019 e assumiu a Fazenda quando a secretaria foi criada, em 2023. Sua candidatura está vinculada ao governo Fátima Bezerra e ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Precisa demonstrar como o conhecimento das contas públicas se converterá em melhora dos serviços, respondendo também pelas escolhas da administração que integrou.

Entre as propostas de Allyson estão reduzir as filas de cirurgias, ampliar a estrutura regional de saúde, recuperar rodovias e construir uma terceira ponte sobre o Rio Potengi. Na educação, defende melhorias nas escolas e bolsas para estudantes. Também promete isentar do IPVA motocicletas de até 170 cilindradas.

Cadu propõe ampliar os recursos da saúde no orçamento, utilizar telemedicina e criar centrais regionais de diagnóstico. Defende fortalecer hospitais regionais para realizar cirurgias perto da residência dos pacientes. Na área fiscal, promete recuperar o enquadramento do Estado nos limites legais. Para o turismo, apresenta integração entre destinos, qualificação profissional e manutenção dos acessos. Essas propostas também exigem metas verificáveis e explicações sobre financiamento e prazos.

Há convergências suficientes para estabelecer uma cobrança comum aos dois: melhorar o atendimento público e recuperar a capacidade de investimento. A avaliação deve considerar os meios oferecidos para atingir esses objetivos. O próximo governador precisará negociar com a Assembleia, dialogar com prefeitos e explicar prioridades. Promessas de benefícios tributários e expansão de serviços terão de conviver com despesas obrigatórias e recursos limitados. A transparência dessas escolhas permitirá acompanhar o cumprimento do programa aprovado pelo eleitor.

Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. No RN, o presidente liderou com 59,75%, enquanto Flávio obteve 34,77%. Essa diferença alimenta estratégias estaduais: Cadu enfatiza a parceria com Lula, e Allyson preserva a neutralidade presidencial. O governo eleito precisará manter relações institucionais com quem ocupar o Planalto, pois investimentos e políticas compartilhadas afetam diretamente os potiguares.

A votação será das 8h às 17h. No RN, a urna receberá primeiro a escolha para governador e depois para presidente. Conferir os números e participar da eleição são providências imediatas. Depois, caberá acompanhar orçamento, contratos, indicadores e entregas. O mandato dará ao vencedor autoridade para governar e obrigação de explicar seus atos a toda a população.