O Café Jaçanã, produzido por Diogo Castro no interior do Rio Grande do Norte, conquistou o segundo lugar técnico e o prêmio Destaque do Público no 1º Concurso de Qualidade dos Cafés do Nordeste. O resultado foi anunciado em 16 de outubro, na Festa do Boi, em Parnamirim. A premiação dá visibilidade à produção potiguar em uma competição com 48 amostras de cinco estados.
Organizado pelo Sebrae-RN e pelo Núcleo de Estudos em Cafeicultura da Universidade Federal da Paraíba, o concurso teve duas avaliações independentes. A votação dos visitantes ocorreu em 15 de outubro e não alterou a classificação técnica. Pelo segundo lugar, o produtor recebeu R$ 3 mil.

Qualidade e origem na disputa por mercado
O resultado soma reconhecimento técnico à preferência dos consumidores que participaram da degustação. Segundo o gestor de cafeicultura do Sebrae-RN, Elton Alves, a iniciativa busca aproximar produtores de compradores, torrefadores e cafeterias. A produtora Gerlane Magalhães, de Portalegre, também representou o RN entre as 24 amostras semifinalistas.
A premiação não informa, por si só, aumento de faturamento ou novos contratos. O material divulgado não apresenta vendas posteriores ao concurso nem alteração dos preços do Café Jaçanã.
Avaliação vai além de uma nota
O concurso adotou o Coffee Value Assessment (CVA), metodologia da Specialty Coffee Association. O sistema permite registrar diferentes dimensões de um café: características físicas, descrição sensorial, impressão de qualidade e informações de origem e processamento.
Na explicação da associação, a análise física observa elementos como tamanho, umidade e defeitos. A descrição sensorial registra aroma, sabor, textura e finalização da bebida por meio de uma linguagem padronizada. Outra dimensão considera a percepção de qualidade do avaliador ou as preferências de seu mercado.
Esse conjunto ajuda a comunicar o perfil do produto a quem compra e comercializa café. A origem, a rastreabilidade e as informações sobre processamento também podem integrar a avaliação, sem substituir os atributos encontrados na bebida.
Produção familiar já tem trajetória no RN
A cafeicultura de Jaçanã já foi retratada pelo Agora RN. Em reportagem de 2024, o portal contou como Diogo Castro retomou a atividade em uma propriedade adquirida pelo avô na década de 1970, associando a produção à renda familiar.
Naquela cobertura, Diogo e a esposa, Izaura, apareciam à frente do cultivo. O histórico situa a premiação de 2026 em uma trajetória anterior de produção e apresentação do café potiguar ao mercado.
Durante a Festa do Boi deste ano, o Agora RN voltou a ouvir o empreendimento, que estava entre os expositores do espaço do Sebrae. A participação permitiu apresentar o produto diretamente aos visitantes, em um ambiente que reuniu alimentos regionais, capacitações e comercialização.


