A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) cobrou mais recursos públicos para o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama e afirmou que mulheres brasileiras precisam percorrer até 300 quilômetros para realizar uma mamografia. Em manifestação sobre o Outubro Rosa, a parlamentar disse que a existência de leis que estabelecem prazos para atendimento precisa ser acompanhada de financiamento para assegurar o acesso aos serviços.
Segundo Zenaide, mulheres das regiões Norte e Nordeste estão entre as que enfrentam longos deslocamentos para fazer o exame. A senadora defendeu investimentos para aproximar o atendimento das pacientes e permitir que alterações suspeitas sejam investigadas sem atraso.

“Não adianta ter leis e não colocarmos as mulheres brasileiras, a saúde das mulheres brasileiras no orçamento do país”, afirmou.
A parlamentar também ressaltou que identificar a doença precocemente precisa ser acompanhado do início do tratamento. Na avaliação dela, as garantias legais não são suficientes quando faltam estrutura e recursos para atender às pacientes.
A cobrança ocorre no mês de mobilização para a detecção precoce do câncer de mama. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 78.610 novos casos da doença por ano no Brasil no triênio de 2026 a 2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres brasileiras.
O atendimento de pacientes com suspeita ou diagnóstico de câncer tem prazos definidos na legislação. A Lei nº 12.732, de 2012, assegura o primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) em até 60 dias, contados da confirmação do diagnóstico em laudo patológico. O prazo deve ser menor quando a necessidade terapêutica estiver registrada no prontuário.
A mesma lei, com alteração feita em 2019, determina que os exames necessários para esclarecer uma suspeita de câncer sejam realizados em até 30 dias quando a principal hipótese diagnóstica for uma neoplasia maligna e houver solicitação fundamentada do médico responsável. A regra não estabelece prazo geral de 30 dias para mamografias de rotina: trata da investigação de uma suspeita da doença.
A mamografia pode identificar alterações antes que sejam percebidas pela paciente. O rastreamento, destinado a mulheres sem sinais ou sintomas, é diferente da investigação diagnóstica, realizada quando há uma alteração que precisa ser esclarecida.
Desde setembro de 2025, a orientação do Ministério da Saúde para o rastreamento populacional no SUS é realizar mamografia a cada dois anos em mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos também podem fazer o exame por demanda, após orientação profissional sobre os possíveis benefícios e riscos.
Essa faixa etária não deve ser usada para adiar a avaliação de quem apresenta sintomas. Nódulos, alterações na pele ou no mamilo e saída espontânea de líquido pelo mamilo precisam ser examinados por um profissional de saúde, independentemente da idade ou da data da última mamografia.
O Inca também orienta que as mulheres conheçam o aspecto habitual das próprias mamas e observem mudanças no cotidiano. Não é necessário seguir uma técnica fixa de autoexame ou um calendário mensal. A observação do corpo não substitui os exames indicados nem a avaliação profissional.
No Rio Grande do Norte, ações itinerantes estão entre as estratégias utilizadas para ampliar a oferta de mamografias. Como o Agora RN mostrou, a programação anunciada pela Defensoria Pública estadual para sexta-feira 16, em Natal, incluiu distribuição de fichas para exames, consultas e orientações sobre saúde da mulher, com participação do Grupo Reviver.
Também houve mudança recente na saúde suplementar. Desde 1º de outubro, os planos de saúde passaram a ter de cobrir a mamografia digital sem restrição de idade ou gênero, desde que exista indicação médica, conforme a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A cobertura do procedimento pelos planos e a recomendação de rastreamento populacional no SUS são regras distintas.
Na rede pública, a unidade básica de saúde é uma porta de entrada para avaliação e encaminhamento. Mulheres com alterações suspeitas devem procurar atendimento para definir os exames necessários e, se houver confirmação da doença, seguir para o tratamento.
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