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Energia

Risco de Super El Niño e mais calor no RN põem a conta de luz no centro da escolha do aparelho

Especialista da Cosern diz que aparelho mais potente nem sempre é o melhor; tamanho do cômodo, umidade, horas de uso e etiqueta devem entrar na decisão
Agora RN
18/09/2026 | 15:34

Quando o calor aperta, o reflexo é aumentar a velocidade do ventilador ou baixar alguns graus no controle remoto do ar-condicionado. O alívio vem rápido, em questão de poucos minutos. O efeito na conta de luz, porém, depende muito do aparelho escolhido, de quanto tempo ele fica ligado e até de como é o cômodo.

A preocupação com o consumo de energia cresce diante da possibilidade de um El Niño muito forte, apelidado de “Super El Niño”. O fenômeno é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, que costuma deixar o Nordeste mais quente e mais seco. É um cenário que aumenta o risco de temperaturas acima da média e de calor mais persistente em toda a região. No Rio Grande do Norte, ainda não dá para estimar quantos graus a temperatura pode subir nos próximos meses, mas o aumento do calor já é sentido nas diferentes regiões do Estado.

Sala com ventilador, climatizador e ar-condicionado de parede
Imagem ilustrativa: ventilador, climatizador e ar-condicionado pesam de forma diferente na conta de luz — Divulgação

São os meses em que os aparelhos que refrescam a casa, do ventilador ao ar-condicionado, passando pelo climatizador, ficam mais horas ligados na tomada. Os três servem para deixar o ambiente mais confortável, mas funcionam de jeitos bem diferentes, e essa diferença aparece no consumo de eletricidade registrado no medidor.

O ventilador é, dos três, o mais simples e, em geral, o mais barato de comprar. Ele não baixa a temperatura do cômodo: só movimenta o ar e dá a sensação de frescor na pele, porque ajuda o suor a evaporar. Como costuma gastar menos energia, rende melhor em ambientes arejados e em dias de calor moderado.

O climatizador fica no meio do caminho entre os outros dois aparelhos. Ele usa um reservatório de água e o processo de evaporação para ventilar o ambiente e, de quebra, deixar o ar mais úmido. Pode melhorar bastante o conforto sobretudo em lugares secos, como o Sertão, mas resfria pouco quando a umidade do ar já está alta.

Esse detalhe pesa bastante no litoral, onde o ar costuma ser mais úmido por causa da proximidade do mar, caso de Natal e das cidades da costa potiguar. Ali, o climatizador pode não entregar a queda de temperatura que o comprador espera. O gasto de energia de cada modelo também varia conforme a potência, o tamanho e a capacidade do aparelho.

Para baixar e controlar de fato a temperatura do ambiente, só o ar-condicionado resolve entre os três, porque retira o calor de dentro do cômodo e o joga para fora. O conforto maior nos dias de calor forte, porém, pode vir acompanhado de uma conta de luz mais alta.

O consumo do ar-condicionado depende de vários fatores. Entram na conta a potência e a capacidade, medida em BTU/h, unidade que indica quanto calor o aparelho tira do ambiente por hora. Contam também a tecnologia do equipamento, a temperatura escolhida, as horas de uso e até a vedação do cômodo.

“Comparar o consumo informado na etiqueta, escolher um modelo com Selo Procel Ouro e adotar hábitos simples permite manter o conforto sem elevar desnecessariamente a conta de energia. É possível atravessar os períodos de maior calor com conforto e sem perder de vista o consumo consciente. A escolha do equipamento deve considerar o tamanho e as características do ambiente, a necessidade de cada família e o tempo diário de utilização. O aparelho mais potente nem sempre é a alternativa mais adequada”, orienta o supervisor da área de eficiência energética da Neoenergia Cosern, Gabriel Lopes.

Na prática, portanto, mais potência não quer dizer escolha melhor para a casa. Um aparelho mal dimensionado para o espaço pode gastar à toa. Já outro, escolhido de acordo com o tamanho e as condições do cômodo, consegue garantir o conforto com um consumo de eletricidade bem mais racional.

Há também medidas bem simples, que dispensam a compra de um aparelho novo. Desligar tudo quando não há ninguém no cômodo evita gasto inútil, um hábito que parece óbvio, mas costuma ser esquecido. Manter ventiladores e filtros sempre limpos ajuda no funcionamento, e aproveitar a ventilação natural nas horas mais amenas reduz o tempo de uso.

Com o ar-condicionado ligado, a orientação é que portas e janelas fiquem fechadas para impedir que o ar quente de fora entre o tempo todo. Quanto mais difícil manter a temperatura escolhida, maior o esforço do aparelho, e maior o gasto de energia no fim do mês.

No fim, escolher o aparelho é fazer uma conta entre conforto e gasto. O ventilador consome pouco, mas não esfria o cômodo. O climatizador funciona bem ou mal conforme a umidade do ar. O ar-condicionado é o único que controla de verdade a temperatura, e por isso mesmo pede mais cuidado no uso.

Para quem quer preparar a casa para os meses mais quentes do ano no Rio Grande do Norte, olhar só a potência pode não bastar. Tamanho do cômodo, umidade, horas de uso por dia e consumo indicado na etiqueta ajudam a definir qual aparelho faz sentido, antes que a diferença apareça na conta de luz.