Mais de 1 milhão de crianças com menos de 5 anos tomaram a vacina Pneumo 20 no Sistema Único de Saúde (SUS) nos dois primeiros meses de aplicação. O imunizante, que entrou em julho no Calendário Nacional de Vacinação, a lista de vacinas oferecidas de graça pelo SUS conforme a idade, amplia a proteção contra as doenças pneumocócicas e cobre 20 sorotipos, as variações, da bactéria Streptococcus pneumoniae, o pneumococo.
O balanço foi divulgado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na sexta-feira 11, durante visita a serviços de saúde em Montes Claros (MG). Com a nova vacina disponível nos postos, começou a mudar o esquema de doses que protege as crianças contra infecções capazes de evoluir para quadros graves.

O pneumococo pode atacar várias partes do corpo e causar doenças como pneumonia e meningite, a inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula. A vacina é tida como a principal forma de evitar as complicações graves dessas doenças, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta entre as causas de morte de crianças por doenças que podem ser prevenidas com imunização.
Os dados do Brasil dão a medida do problema. De 2023 a 2025, a meningite causada pelo pneumococo matou 1,4 mil pessoas no país, entre 4,6 mil casos notificados. A letalidade, proporção de doentes que morreram, chegou a 30%.
As crianças pequenas estão entre os grupos que mais preocupam. Nesses três anos, foram 589 casos de meningite pneumocócica e 187 mortes entre menores de 5 anos.
Com a Pneumo 20, aumenta o número de sorotipos cobertos pela vacina oferecida às crianças no SUS. Além de prevenir as formas invasivas da doença pneumocócica, quando a bactéria chega ao sangue ou a outros órgãos, e quadros como pneumonia e meningite, ela protege contra a otite média, infecção na parte do ouvido que fica atrás do tímpano, que pode deixar sequelas, como a perda de audição.
A chegada da nova vacina não tira de imediato a Pneumo 10 dos postos. A troca vai ser gradual, e as doses da vacina antiga seguem sendo aplicadas até que os estoques acabem.
Nesse período de transição, parte das crianças poderá tomar as duas vacinas durante o esquema. Para quem está começando, a orientação é dar a primeira dose com a Pneumo 20, aos 2 meses; a segunda com a Pneumo 10, aos 4 meses; e o reforço de novo com a Pneumo 20, aos 12 meses. Entre a segunda dose e o reforço, o intervalo mínimo é de 60 dias.
Crianças que já completaram o esquema com a Pneumo 10, a vacina usada até agora, não precisam de dose extra da Pneumo 20. A orientação evita que as famílias tenham de recomeçar a vacinação ou acrescentar doses só por causa da troca de vacina na rede pública.
A transição inclui também as crianças que começaram a se vacinar fora do SUS. Quem tomou a Pneumo 13 ou a Pneumo 15 em clínicas particulares pode terminar o esquema com a Pneumo 20 nos postos públicos, desde que os intervalos entre as doses sejam respeitados.
Pais e responsáveis podem conferir o histórico de vacinas na Caderneta Digital de Saúde da Criança, no aplicativo Meu SUS Digital, do Ministério da Saúde, que pode ser baixado no celular. A ferramenta mostra as doses registradas e ajuda a saber quais vacinas ainda faltam.
Desde julho, já são mais de 1 milhão de crianças protegidas, e a Pneumo 20 passa a ocupar o espaço da vacina que o SUS aplicava até então. A mudança eleva de dez para 20 os sorotipos cobertos pela vacina do calendário infantil, enquanto a rede pública administra a passagem de um esquema para o outro.