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Vacinação

Vacina Pneumo 20 chega a mais de 1 milhão de crianças no SUS em dois meses; veja o novo esquema

Imunizante protege contra 20 tipos de pneumococo e substitui aos poucos a Pneumo 10; bactéria causou 1,4 mil mortes por meningite no país entre 2023 e 2025
Agora RN
16/09/2026 | 17:44

Mais de 1 milhão de crianças com menos de 5 anos tomaram a vacina Pneumo 20 no Sistema Único de Saúde (SUS) nos dois primeiros meses de aplicação. O imunizante, que entrou em julho no Calendário Nacional de Vacinação, a lista de vacinas oferecidas de graça pelo SUS conforme a idade, amplia a proteção contra as doenças pneumocócicas e cobre 20 sorotipos, as variações, da bactéria Streptococcus pneumoniae, o pneumococo.

O balanço foi divulgado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na sexta-feira 11, durante visita a serviços de saúde em Montes Claros (MG). Com a nova vacina disponível nos postos, começou a mudar o esquema de doses que protege as crianças contra infecções capazes de evoluir para quadros graves.

Mãos de profissional de saúde aplicam injeção no braço de uma criança de blusa rosa estampada
Criança é vacinada; mais de 1 milhão de menores de 5 anos já receberam a Pneumo 20 pelo SUS — José Aldenir/O Correio de Hoje

O pneumococo pode atacar várias partes do corpo e causar doenças como pneumonia e meningite, a inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula. A vacina é tida como a principal forma de evitar as complicações graves dessas doenças, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta entre as causas de morte de crianças por doenças que podem ser prevenidas com imunização.

Os dados do Brasil dão a medida do problema. De 2023 a 2025, a meningite causada pelo pneumococo matou 1,4 mil pessoas no país, entre 4,6 mil casos notificados. A letalidade, proporção de doentes que morreram, chegou a 30%.

As crianças pequenas estão entre os grupos que mais preocupam. Nesses três anos, foram 589 casos de meningite pneumocócica e 187 mortes entre menores de 5 anos.

Com a Pneumo 20, aumenta o número de sorotipos cobertos pela vacina oferecida às crianças no SUS. Além de prevenir as formas invasivas da doença pneumocócica, quando a bactéria chega ao sangue ou a outros órgãos, e quadros como pneumonia e meningite, ela protege contra a otite média, infecção na parte do ouvido que fica atrás do tímpano, que pode deixar sequelas, como a perda de audição.

A chegada da nova vacina não tira de imediato a Pneumo 10 dos postos. A troca vai ser gradual, e as doses da vacina antiga seguem sendo aplicadas até que os estoques acabem.

Nesse período de transição, parte das crianças poderá tomar as duas vacinas durante o esquema. Para quem está começando, a orientação é dar a primeira dose com a Pneumo 20, aos 2 meses; a segunda com a Pneumo 10, aos 4 meses; e o reforço de novo com a Pneumo 20, aos 12 meses. Entre a segunda dose e o reforço, o intervalo mínimo é de 60 dias.

Crianças que já completaram o esquema com a Pneumo 10, a vacina usada até agora, não precisam de dose extra da Pneumo 20. A orientação evita que as famílias tenham de recomeçar a vacinação ou acrescentar doses só por causa da troca de vacina na rede pública.

A transição inclui também as crianças que começaram a se vacinar fora do SUS. Quem tomou a Pneumo 13 ou a Pneumo 15 em clínicas particulares pode terminar o esquema com a Pneumo 20 nos postos públicos, desde que os intervalos entre as doses sejam respeitados.

Pais e responsáveis podem conferir o histórico de vacinas na Caderneta Digital de Saúde da Criança, no aplicativo Meu SUS Digital, do Ministério da Saúde, que pode ser baixado no celular. A ferramenta mostra as doses registradas e ajuda a saber quais vacinas ainda faltam.

Desde julho, já são mais de 1 milhão de crianças protegidas, e a Pneumo 20 passa a ocupar o espaço da vacina que o SUS aplicava até então. A mudança eleva de dez para 20 os sorotipos cobertos pela vacina do calendário infantil, enquanto a rede pública administra a passagem de um esquema para o outro.