O setor de serviços do Rio Grande do Norte voltou a crescer em julho, impulsionado principalmente por restaurantes, empresas de teleatendimento, coleta de resíduos, facilities e terceirização de mão de obra. O volume de serviços prestados no Estado avançou 7,1%, em termos reais, na comparação com julho de 2025, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Instituto Fecomércio RN.
O resultado colocou o Rio Grande do Norte na terceira posição entre as 27 unidades da Federação e na segunda colocação do Nordeste. O crescimento potiguar ficou atrás apenas da Bahia, com alta de 9,7%, e do Amapá, com 7,9%. Na média brasileira, o setor avançou 0,9% em relação ao mesmo mês do ano passado.

A alta representa uma mudança de direção para os serviços no Estado, depois de duas quedas consecutivas na comparação anual. Parte da intensidade do avanço, no entanto, está relacionada à base de referência mais baixa: em julho de 2025, o volume de serviços havia recuado 5,1% no Rio Grande do Norte. Ainda assim, os números indicam uma retomada distribuída entre atividades voltadas ao consumo das famílias e segmentos contratados por empresas e pelo poder público. A combinação inclui alimentação fora do lar, atendimento remoto, manejo de resíduos e serviços terceirizados de limpeza, conservação, manutenção, segurança e apoio administrativo.
Setor potiguar supera ritmo nacional
A diferença entre o desempenho estadual e o nacional foi de 6,2 pontos porcentuais em julho. Enquanto o Rio Grande do Norte registrou alta de 7,1% na comparação anual, o crescimento brasileiro ficou limitado a 0,9%.
No País, o setor permaneceu estável na passagem de junho para julho, considerando a série com ajuste sazonal. Foi o segundo mês consecutivo sem crescimento nessa base de comparação. O nível de atividade ficou 0,2% abaixo do recorde da série histórica, alcançado em outubro de 2025, mas permaneceu 20% acima do patamar de fevereiro de 2020, período anterior à pandemia de covid-19.
A estabilidade nacional ocorreu apesar de quatro das cinco grandes atividades pesquisadas pelo IBGE terem apresentado crescimento mensal. O resultado foi pressionado pela queda de 2,5% nos serviços de informação e comunicação. Os transportes avançaram 0,4%, com altas de 2,9% no transporte de passageiros e de 1% no transporte de cargas. O desempenho territorial também foi desigual: 14 das 27 unidades da Federação registraram retração na comparação com junho. Esse cenário reforça o contraste entre a desaceleração nacional e a expansão observada no Rio Grande do Norte na comparação anual.
Acumulado do ano cresce 1,8%
Entre janeiro e julho de 2026, o setor potiguar acumulou crescimento real de 1,8%, resultado próximo da média brasileira, de 1,9%. As maiores contribuições vieram das atividades de coleta de resíduos, restaurantes, hotelaria, teleatendimento e facilities.
Embora inferior aos 4,4% registrados no mesmo intervalo de 2025, o avanço deste ano colocou o Rio Grande do Norte com a décima maior taxa entre os Estados e a quarta do Nordeste. A diferença entre os dois períodos também deve considerar o efeito estatístico da base de comparação. O setor já havia crescido em ritmo elevado nos sete primeiros meses de 2025, tornando mais difícil a manutenção de taxas semelhantes em 2026.
A composição do crescimento mostra a importância dos serviços prestados às famílias, especialmente alimentação e hospedagem, mas também revela participação relevante das atividades intermediárias, contratadas por outras empresas. Teleatendimento, coleta de resíduos e terceirização não dependem exclusivamente do consumo direto das famílias. Esses segmentos acompanham contratos empresariais e governamentais e, por isso, podem sustentar a atividade mesmo em períodos de menor expansão das despesas domésticas.
Restaurantes têm impacto em duas frentes
Os restaurantes aparecem entre as principais influências positivas tanto no resultado geral dos serviços quanto no desempenho específico das atividades turísticas. A presença nas duas frentes está relacionada à metodologia da pesquisa, que considera parte dos serviços de alimentação no cálculo do índice de turismo. O movimento pode refletir o aumento da circulação de consumidores, a demanda de visitantes e a realização de eventos, além do funcionamento da cadeia formada por fornecedores, transportadores e empresas de apoio. A hotelaria também contribuiu para os dois indicadores. No turismo, o segmento foi acompanhado pela locação de automóveis, atividade diretamente relacionada ao deslocamento de visitantes dentro do Estado.
Turismo avança 11,4% no Estado
O principal resultado setorial de julho veio das atividades turísticas. O volume desses serviços cresceu 11,4% no Rio Grande do Norte em relação ao mesmo mês de 2025. Restaurantes, hotéis e locadoras de veículos exerceram as maiores influências sobre a expansão.
O índice potiguar foi o segundo maior entre os 17 Estados acompanhados pelo indicador regional de turismo do IBGE. Apenas a Bahia apresentou desempenho superior, com crescimento de 18,6%. O contraste com o cenário brasileiro foi amplo. Enquanto o turismo potiguar avançou 11,4%, a média nacional recuou 1,6% na comparação anual. Dez das 17 unidades da Federação investigadas apresentaram resultados negativos. A diferença de 13 pontos porcentuais entre o Rio Grande do Norte e o índice nacional reforça o peso do turismo na retomada dos serviços locais. A atividade movimenta não apenas meios de hospedagem e alimentação, mas também transporte, comércio, locação de veículos, passeios, eventos e serviços pessoais.