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POLÍTICA

Flávio vira alvo da PF, pede fim do sigilo do caso Master e investigação de Dino

Candidato nega irregularidades no financiamento de Dark Horse e afirma, sem apresentar provas, que ministro tentou interferir na eleição
Agora RN
11/09/2026 | 14:08

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, defendeu nesta sexta-feira 11 a retirada completa dos sigilos das investigações relacionadas ao Banco Master. A declaração ocorreu depois que se tornou público que ele é investigado pela Polícia Federal por suspeitas ligadas ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista em Manaus, Flávio negou irregularidades e afirmou que não houve contrapartida pelos recursos destinados ao filme. Ele também defendeu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a abertura do inquérito.

Flávio Bolsonaro durante reunião no Senado
Flávio Bolsonaro pediu a abertura total dos sigilos ligados ao caso Master — Foto: Agência Senado

“Eu peço ao ministro André Mendonça: abra os sigilos, tira o sigilo de tudo, mostra tudo pro povo”, declarou.

O senador disse que a transparência deve alcançar outras apurações, incluindo investigações sobre o Banco Master e fraudes na Previdência. “Eu quero transparência para tudo”, afirmou.

A existência do inquérito contra Flávio veio a público nesta sexta-feira, após Mendonça retirar o sigilo de documentos ligados às investigações sobre o Banco Master. A medida ocorreu a pedido do presidente do STF, Edson Fachin.

A Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes relacionados ao financiamento de Dark Horse. A investigação envolve repasses do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para a produção do filme.

Segundo os investigadores, Flávio Bolsonaro teria atuado como interlocutor direto junto a Vorcaro para obter dinheiro para o longa. O banqueiro destinou R$ 61 milhões à obra por meio de um fundo nos Estados Unidos, de acordo com a apuração.

O candidato afirmou que os recursos não foram recebidos por ele e que foram destinados à produção. “Não tem um real, não tem nada pro Flávio, tem um patrocínio para um filme privado”, disse.

Durante a entrevista, Flávio também criticou o ministro Flávio Dino e a Polícia Federal. Ele afirmou que pedirá uma investigação contra Dino por suposta interferência no processo eleitoral, mas não apresentou provas para sustentar a acusação.

As críticas foram feitas ao comentar uma segunda investigação sobre Dark Horse, relatada por Dino. Esse inquérito apura se recursos de emendas parlamentares foram usados pela produtora Go Up Entertainment para financiar o filme.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão nessa frente na quinta-feira 10. Entre os alvos estavam o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do longa.

Flávio afirmou que a operação não encontrou irregularidades e alegou que foi localizado um documento segundo o qual Karina estaria sendo ameaçada por pessoas ligadas a Dino e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com base nessa alegação, ele disse que pedirá investigação formal contra o ministro.

“Eu estou pedindo que o Dino seja investigado formalmente nessa investigação, para que parem de tomar decisões tentando interferir nas eleições”, declarou.

O senador também questionou o momento em que sua condição de investigado se tornou pública. O inquérito havia sido autorizado em julho, e ele associou a divulgação ao desempenho que afirma ter alcançado nas pesquisas eleitorais.

Ao ser questionado sobre a decisão de Mendonça de autorizar a investigação, Flávio defendeu o ministro. “O André Mendonça tá certo. Ele tá sendo o juiz”, afirmou.