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RN aprova pedido de forças federais para 9 municípios durante as eleições

Solicitação será encaminhada ao TSE e inclui João Dias, que já recebeu reforço federal em 2024, após o assassinato do então prefeito Marcelo Oliveira e de seu pai em meio à campanha municipal
Agora RN
08/09/2026 | 22:05

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira 8, o encaminhamento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de um pedido de envio de forças federais para nove municípios potiguares durante as eleições de 2026. A solicitação contempla Serra Negra do Norte, Jardim de Piranhas, Alexandria, João Dias, Tibau, Boa Saúde, Sítio Novo, Serra Caiada e Ipanguaçu.

A aprovação pelo TRE-RN não significa que o efetivo será enviado automaticamente. O pedido ainda será analisado pelo TSE, a quem cabe autorizar o emprego de forças federais para reforçar a segurança e garantir o livre exercício do voto nos locais indicados pela Justiça Eleitoral.

Integrantes do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte reunidos no plenário
Plenário do Tribunal Regional Eleitoral aprovou pedido por unanimidade — TRE-RN / DIVULGAÇÃO

Segundo a presidente do TRE-RN, desembargadora Martha Danyelle Santana Costa Barbosa, a solicitação foi construída a partir de consultas aos juízes eleitorais e de informações produzidas pelos setores de inteligência da Justiça Eleitoral e da Polícia Militar. Nem todos os municípios que pediram reforço foram incluídos. A relação aprovada reúne aqueles nos quais, segundo a análise apresentada à Corte, existe necessidade concreta de ampliar a estrutura de segurança durante o pleito.

O reforço federal, caso autorizado pelo TSE, deverá atuar de forma complementar às forças estaduais. O objetivo é preservar a normalidade da votação, evitar intimidações, conter eventuais conflitos e assegurar que eleitores, mesários, servidores e magistrados possam participar do processo eleitoral sem interferências.

Durante o julgamento, o desembargador João Rebouças defendeu a medida e recordou a experiência acumulada como juiz eleitoral no interior. “Quando o jipe do Exército chega, que a gente manda dar uma volta na cidade, as coisas já equilibram um pouquinho”, afirmou.

A situação de João Dias recebeu atenção específica, por causa do histórico recente de violência política no município. Em 27 de agosto de 2024, durante as eleições municipais, o então prefeito e candidato à reeleição Marcelo Oliveira, do União Brasil, foi morto a tiros ao lado do pai, Sandi Alves de Oliveira.

O crime ocorreu a menos de seis semanas da votação e agravou uma crise política que já vinha sendo acompanhada pelas forças de segurança e pela Justiça. Marcelo Oliveira também havia sido alvo de uma tentativa de homicídio em novembro de 2022.

Mesmo diante do assassinato do prefeito e candidato, o calendário eleitoral de 2024 foi mantido. Naquele ano, o TRE-RN também aprovou a requisição de forças federais para João Dias, numa tentativa de assegurar a realização da eleição municipal em ambiente de maior estabilidade. A medida foi posteriormente autorizada pelo TSE, e o município contou com segurança reforçada no dia da votação. Naquele pleito, a viúva de Marcelo, conhecida como Fatinha de Marcelo, foi eleita prefeita do município. Ela segue no cargo.

Investigações da Polícia Civil apontam que o assassinato foi parte de um conflito entre grupos familiares e políticos que disputavam o controle do município. O Ministério Público apresentou denúncias contra acusados de participação no planejamento e na execução do ataque, entre eles, a ex-vice-prefeita Damária Jácome.

Nos demais municípios, a Corte não detalhou publicamente, durante a sessão, ocorrências específicas que tenham fundamentado os pedidos. A presidente informou apenas que cada solicitação foi examinada individualmente com base nos relatos dos juízes eleitorais e nas informações dos órgãos de inteligência.