A campanha eleitoral no Rio Grande do Norte já avançou o suficiente para que as estratégias comecem a sair do papel e sejam colocadas à prova diante do eleitor. Esta semana tem um ingrediente novo e decisivo: o horário eleitoral começa, de fato, a entrar nas casas dos potiguares. A disputa deixa de estar concentrada nas ruas, nas redes sociais e nos eventos políticos e passa a ocupar também o rádio e a televisão.
É justamente por isso que os próximos sete dias merecem atenção especial.

Há algumas semanas, neste espaço, tratei do que poderia ser chamado de primeiro terço da campanha e da estratégia que começava a se desenhar. A lógica era relativamente simples: Álvaro Dias e Cadu Xavier concentrariam esforços em Allyson Bezerra, colocando à prova a chamada “gordura eleitoral” do prefeito de Mossoró. A pergunta era, e continua sendo, se ele conseguiria resistir à pressão.
Se resistir, o cenário muda.
Se começar a desidratar, o jogo pode praticamente se reorganizar.
Para Allyson, a missão parece mais objetiva: chegar ao segundo turno. A partir daí, entra em campo outro elemento importante da eleição: o voto de quem não escolheu nenhum dos demais candidatos no primeiro turno. É nesse eleitorado que está parte significativa da oportunidade de crescimento.
Para Cadu, entretanto, a estratégia precisa ser diferente. Para quem está atrás ou precisa encurtar uma distância, não basta preservar posições. É necessário alterar o cenário. E isso significa atingir diretamente a principal vantagem de Allyson: seus votos.
A questão, portanto, é como fazer isso.
Como retirar votos de Allyson? Como transformar uma vantagem eleitoral em uma disputa aberta? Como fazer com que parte do eleitor que hoje está confortável com seu nome comece a reconsiderar sua escolha?
É aí que entra a televisão.
O horário eleitoral permite uma comunicação mais estruturada, repetida e emocionalmente organizada. Não se trata apenas de apresentar propostas. É também o momento em que os candidatos podem definir adversários, estabelecer contrastes e tentar impor uma interpretação sobre a eleição.
Por isso, os próximos sete dias serão fundamentais. É o período em que será possível observar se a estratégia de pressão sobre Allyson produzirá resultado ou se sua candidatura demonstrará capacidade de resistência.
Se Allyson não desidratar, a lógica da campanha tende a mudar. Restará uma alternativa aos seus adversários: Álvaro e Cadu terão de disputar entre si quem terá condições de enfrentá-lo no segundo turno.
A eleição, então, deixará de ser uma tentativa de derrubar o líder e passará a ser uma guerra pela segunda vaga.
E talvez seja exatamente isso que os próximos sete dias começarão a revelar.