Faltando apenas 34 dias para o primeiro turno, todas as pesquisas de intenção de voto parecem apontar para uma mesma conclusão: para a maior parte do eleitorado, a campanha eleitoral está apenas começando. Embora os candidatos estejam em movimento há muitos meses, a atenção do cidadão comum costuma despertar somente quando a propaganda chega na TV e rádio, os debates ganham espaço e o tema das eleições passa a ocupar as conversas do dia a dia.
Outro dado chama a atenção. Os elevados índices de votos brancos, nulos e de eleitores indecisos revelam que boa parte da população ainda não definiu seu voto. Isso significa que praticamente todas as principais disputas permanecem abertas e que uma parcela significativa das decisões será tomada nas próximas semanas.

As eleições brasileiras têm se transformado, cada vez mais, em uma corrida de 100 metros. Existe, porém, uma diferença importante: os competidores não largam da mesma linha. Quando a corrida começa oficialmente, muitos já chegam embalados por uma longa pré-campanha, construída por meio da exposição pública, da presença constante na mídia, das redes sociais ou do próprio exercício de cargos públicos. Esse cenário favorece o primeiro grande diferencial competitivo: o chamado recall. Quem já ocupa um mandato ou desfruta de elevada notoriedade pública entra na disputa com enorme vantagem. Seu nome já é conhecido, sua imagem já foi construída e sua presença na agenda pública acontece naturalmente. Mesmo candidatos sem mandato podem usufruir desse benefício quando acumulam tempo de exposição em televisão, rádio ou na internet (influenciadores).
Há, entretanto, um segundo fenômeno igualmente relevante: o crescimento espasmódico de determinadas candidaturas. Em um período tão curto, torna-se possível conquistar apoio rapidamente por meio de discursos de forte apelo emocional, promessas grandiosas ou narrativas simplificadas. Muitas vezes, falta tempo para que o eleitor investigue a viabilidade das propostas, conheça o histórico do candidato ou avalie sua capacidade real de entregar aquilo que promete.
Esse encurtamento da fase decisória reduz o espaço para um debate mais aprofundado sobre programas de governo, prioridades administrativas e capacidade de gestão. A política passa a ser fortemente influenciada pela velocidade da comunicação, pela eficiência das estratégias digitais e pelo impacto das emoções.
Mais do que nunca, a reta final exige responsabilidade de candidatos, partidos, imprensa e eleitores. A democracia depende da liberdade de escolha, mas também da qualidade da informação disponível. Afinal, governos e parlamentos serão escolhidos em poucos dias, enquanto as consequências dessas decisões acompanharão a sociedade pelos próximos anos.