O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo, Mita e Tendall Grill, entrou em recuperação judicial com uma dívida estimada em R$ 265,2 milhões.
Segundo a empresa, a medida faz parte de um processo de reestruturação financeira e tem como objetivo preservar a sustentabilidade e a continuidade dos negócios. As operações seguem funcionando normalmente, incluindo o atendimento aos clientes e a rotina das unidades.

Em nota enviada à revista Exame, o grupo afirmou que permanece comprometido com a continuidade de uma história construída ao lado de milhões de consumidores. O Grupo Gennius reúne mais de 300 restaurantes em cerca de 90 cidades brasileiras.
A recuperação judicial permite que uma empresa negocie suas dívidas sob supervisão da Justiça enquanto mantém as atividades. O mecanismo busca evitar a interrupção das operações e criar condições para o pagamento dos credores conforme um plano a ser analisado no processo.
Habib’s já havia conseguido suspensão de cobranças
Em julho, a Justiça de São Paulo concedeu parcialmente uma medida cautelar ao grupo e suspendeu por 60 dias execuções baseadas em dívidas que poderiam ser incluídas em um eventual processo de recuperação judicial.
Na ocasião, o valor das dívidas mencionado no processo era superior ao informado no pedido atual. Segundo o grupo, a situação financeira foi agravada pelos efeitos da pandemia entre 2020 e 2022, pela mudança nos hábitos de consumo com o avanço das plataformas digitais e por um cenário macroeconômico considerado adverso.
O caso ocorre em um período de aumento das reestruturações empresariais no país. Levantamento publicado pelo Agora RN mostrou que 2.466 empresas pediram recuperação judicial em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 2012.
No setor de alimentação, os custos e a dificuldade de repassar aumentos ao consumidor também pressionam as margens. No Rio Grande do Norte, 33% dos bares e restaurantes operaram no prejuízo em fevereiro, segundo levantamento da Abrasel no RN.
O que acontece agora na recuperação judicial do Habib’s
Com o processamento da recuperação judicial, a empresa passa a negociar com os credores dentro das regras previstas na Lei de Recuperação Judicial e Falências. O procedimento não significa o encerramento das atividades nem a falência automática do grupo.
O próximo passo é a apresentação de um plano com as condições propostas para reorganizar os débitos. O documento pode prever prazos maiores, descontos, novas formas de pagamento e outras medidas destinadas a equilibrar o caixa. Os credores têm direito de analisar a proposta e, quando necessário, deliberar sobre ela em assembleia.
Durante essa etapa, a administração permanece responsável pela condução dos negócios, enquanto um administrador judicial acompanha o processo e reúne informações sobre os créditos. A Justiça também fiscaliza o cumprimento das obrigações legais. Caso o plano seja aprovado e homologado, o grupo deverá seguir as condições estabelecidas para continuar a recuperação.
Para os clientes, a principal informação divulgada pela companhia é que os restaurantes continuam abertos. Eventuais mudanças no plano, na operação das marcas ou no atendimento aos credores dependerão das decisões tomadas ao longo do processo.
Rede foi criada em 1988
O Habib’s foi criado em 1988 por Alberto Saraiva e se expandiu com a estratégia de oferecer produtos a preços mais baixos para ganhar escala.
Ao longo dos anos, o grupo ampliou a atuação e passou a controlar outras marcas do setor de alimentação. A empresa afirma que, apesar da recuperação judicial, as unidades continuam operando normalmente em todo o território nacional.