A confiança dos empresários industriais do Rio Grande do Norte perdeu força em agosto, pressionada principalmente pela redução das expectativas para os próximos seis meses. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) potiguar caiu quatro pontos, de 56,5 em julho para 52,5 pontos, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern).
Apesar do recuo, o indicador permanece acima da linha divisória de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança. O resultado mostra que os industriais potiguares ainda mantêm uma avaliação positiva sobre o futuro dos negócios, embora o nível de confiança esteja menos disseminado do que no mês anterior.

Na comparação com agosto de 2025, quando o índice estava em 51,6 pontos, houve avanço de 0,9 ponto. O resultado atual, no entanto, encontra-se 1,8 ponto abaixo da média histórica do indicador no Estado, calculada em 54,3 pontos. O levantamento foi realizado entre os dias 3 e 12 de agosto. O Icei varia de zero a 100 pontos e combina a percepção dos empresários sobre as condições atuais da economia e das próprias empresas com as expectativas para os seis meses seguintes.
Os dois componentes do indicador potiguar apresentaram movimentos diferentes. O Índice de Condições Atuais avançou 0,2 ponto, de 48,8 para 49 pontos. Embora tenha ocorrido uma melhora mensal, o resultado abaixo de 50 mostra que os empresários consideram as condições dos negócios piores do que há seis meses.
Essa percepção negativa sobre o cenário atual é registrada no Rio Grande do Norte desde novembro de 2024. O resultado de agosto aponta que a piora continua, mas com intensidade um pouco menor do que a verificada em julho.
O Índice de Expectativas, por sua vez, caiu 6,1 pontos, de 60,4 para 54,3. O componente segue no campo positivo, mas o recuo indica que os industriais reduziram as projeções favoráveis para empresas e economia nos próximos seis meses.
Em relação a agosto do ano passado, os dois componentes estão em níveis superiores. O indicador das condições atuais aumentou 0,6 ponto, ante os 48,4 pontos registrados naquele período. O de expectativas avançou 1,1 ponto, na comparação com os 53,2 pontos de agosto de 2025.
A combinação entre avaliação negativa do presente e expectativa positiva para o futuro ajuda a explicar por que o Icei potiguar continua acima de 50 pontos, mesmo após a queda mensal. A sustentação da confiança depende, neste momento, mais das perspectivas para os próximos meses do que da percepção sobre a atividade corrente.

Grandes puxam recuo
A diminuição da confiança foi mais intensa entre as médias e grandes indústrias. Nesse grupo, o Icei caiu 5,3 pontos, de 59,2 para 53,9. Mesmo após o recuo, os empresários desse porte continuam no campo de confiança.
Nas pequenas empresas, o indicador permaneceu praticamente estável, com queda de 0,1 ponto, de 48,4 para 48,3. Por estar abaixo de 50, o resultado mostra falta de confiança pelo terceiro mês consecutivo.
A diferença entre os portes indica que o otimismo está concentrado nas empresas com maior capacidade financeira, acesso a crédito e possibilidade de absorver oscilações de custos e demanda. Entre os pequenos negócios, a percepção negativa continua disseminada.
No recorte por atividade, os empresários das indústrias extrativa e de transformação ficaram menos confiantes em agosto. Na construção, o indicador se aproximou da neutralidade, sem sinalizar confiança nem falta de confiança.
Média do RN acima do país
O movimento potiguar foi contrário ao registrado no conjunto do Brasil. O Icei nacional subiu 1,9 ponto em agosto, passando de 44,4 para 46,3, conforme pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A alta interrompeu duas quedas mensais consecutivas, mas não retirou o indicador nacional do campo negativo. A indústria brasileira completa 20 meses seguidos sem confiança, sequência iniciada em janeiro de 2025.
O Icei nacional está 0,2 ponto acima dos 46,1 pontos registrados em agosto do ano passado, mas permanece sete pontos abaixo de sua média histórica, atualmente calculada pela CNI em 53,3 pontos.
Em âmbito nacional, tanto a avaliação do presente quanto as expectativas melhoraram. O Índice de Condições Atuais avançou 1,1 ponto, para 42,7, enquanto o Índice de Expectativas subiu 2,3 pontos, para 48,1. Ambos continuam abaixo da linha de 50.
A CNI consultou 1.117 empresas, das quais 453 pequenas, 406 médias e 258 grandes, entre os dias 3 e 7 de agosto. Segundo a entidade, de janeiro a agosto de 2026, o Icei nacional registrou cinco quedas e duas altas e permanece abaixo do patamar observado no começo do ano.
Nordeste no campo positivo
No Nordeste, o Icei aumentou 0,3 ponto, de 50,8 em julho para 51,1 em agosto. O resultado mantém os empresários da região no campo de confiança, embora próximos da neutralidade.
Na comparação com agosto de 2025, quando também estava em 50,8 pontos, o índice regional avançou 0,3 ponto. O Rio Grande do Norte permanece 1,4 ponto acima da média nordestina e 6,2 pontos acima do indicador nacional.
A diferença mostra um quadro heterogêneo. Enquanto o índice brasileiro aponta falta de confiança há quase dois anos, o Rio Grande do Norte e o Nordeste permanecem acima da linha de 50, sustentados pelas expectativas sobre o desempenho futuro das empresas.
No Estado, porém, a queda de agosto reduz parte da distância em relação ao restante do País. A continuidade da confiança dependerá da evolução da demanda, dos custos de produção, do crédito e das condições econômicas nos próximos meses.