O Praia Shopping fechou o primeiro semestre de 2026 com crescimento de 12% nas vendas totais e de 8% no fluxo médio mensal, que chegou a cerca de 190 mil pessoas, segundo a gerente-geral do empreendimento, Danielle Leal. Os números foram apresentados por ela em entrevista ao podcast Economia & Negócios, da TV Agora RN, e são informações da administração do centro comercial, não auditadas por terceiros.
Ainda assim, o patamar declarado descola de forma expressiva dos dois termômetros disponíveis para comparação. A Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE mostra que o varejo restrito do Rio Grande do Norte cresceu 4,5% entre janeiro e junho na comparação com o mesmo período de 2025, e 5,9% em 12 meses — segunda maior variação do país, atrás apenas de Pernambuco, com 6,1%. Já a Associação Brasileira de Shopping Centers projeta expansão de 1,4% para o setor no conjunto do ano, depois de um 2025 em que o faturamento nacional dos shoppings ultrapassou R$ 200 bilhões pela primeira vez.

O contraste ajuda a situar o resultado: a alta informada pelo Praia é cerca de duas vezes e meia a do varejo potiguar no semestre e várias vezes a projeção nacional do próprio segmento de shoppings. O mesmo indicador do IBGE, porém, registrou perda de ritmo na margem — o volume de vendas do varejo potiguar caiu 0,2% em abril, 1,3% em maio e 0,1% em junho, na série com ajuste sazonal, terceira retração mensal consecutiva.
O início do segundo semestre, segundo a administração, veio mais forte. Nos dez primeiros dias de agosto, intervalo que inclui o Dia dos Pais, o fluxo ficou 21% acima do mesmo período de 2025 e as vendas subiram 9%. Parte do movimento foi atribuída à programação do cinema, que atraiu público acima do previsto.
Uma tese de vizinhança, não de turismo
O dado que mais desloca o eixo da conversa é geográfico. O Praia Shopping fica em Ponta Negra, região que concentra cerca de 70% da rede hoteleira do Rio Grande do Norte e aproximadamente 20 mil leitos. Mesmo assim, turistas representam entre 15% e 18% dos frequentadores. Mais de 70% do público é formado por moradores de Ponta Negra, Capim Macio e bairros próximos — em um raio de cinco quilômetros vivem cerca de 175 mil pessoas.
Essa composição explica escolhas que fogem ao desenho tradicional de um centro de compras. O empreendimento abriga uma igreja evangélica em 400 metros quadrados, com auditório para 250 pessoas, e uma unidade do Colégio Monte, com cerca de 150 estudantes do Fundamental II e do Ensino Médio, em funcionamento há quatro anos. Ambas geram circulação nos dias úteis, quando o movimento costuma ser menor.
A expansão imobiliária no entorno reforça a aposta. Depois das mudanças no Plano Diretor de Natal, Capim Macio recebeu novos projetos residenciais: nas quadras próximas ao centro comercial há cinco lançamentos que somam entre 300 e 350 unidades, com entrega prevista até 2027 e áreas entre 60 e 120 metros quadrados. Para a gerente-geral, o crescimento no entorno amplia o mercado consumidor em vez de representar apenas concorrência, e a região ainda tem oferta limitada na área de saúde.
“Essas regiões hoje não são só mais turísticas. Elas são parte integrante da cidade. São pessoas que moram naquela região, estudam e trabalham”, afirmou Danielle Leal.
O que muda até 2027
Três novas operações estão previstas até outubro, nos segmentos de moda, serviços e bomboniere. A administração também iniciou a reforma da bateria de banheiros do primeiro piso, com conclusão prevista para setembro e previsão de ampliação da estrutura, espaço para famílias e área de troca de fraldas. Para o primeiro semestre de 2027 está programada a renovação da praça de alimentação, com a proposta de aumentar o tempo de permanência do público.
O empreendimento reúne hoje 122 operações e cerca de 480 postos de trabalho diretos, considerando lojas, administração, limpeza, manutenção e segurança, e completa 30 anos em 2027. O balanço foi noticiado originalmente por O Correio de Hoje, em reportagem sobre o desempenho do centro comercial no primeiro semestre.
O segundo semestre concentra Dia das Crianças, Black Friday e Natal, e a alta temporada turística começa em novembro. O pano de fundo macroeconômico é favorável: o Rio Grande do Norte fechou o segundo trimestre com taxa de desocupação de 5,6%, a menor da série histórica iniciada em 2012, embora o ritmo de geração de emprego formal tenha perdido força no ano.