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Eleições 2026

Após ação do PT, Justiça Eleitoral suspende repasse de 48% do fundo eleitoral

Pedido de vista interrompe análise sobre cálculo contestado pelo PT; parcela vinculada às bancadas da Câmara fica sem distribuição aos partidos
Por O Correio de Hoje
14/08/2026 | 16:41

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu nesta quinta-feira 13 o julgamento de uma ação do PT que pede a revisão do cálculo do fundo eleitoral de 2026. Com a interrupção, os 48% dos recursos distribuídos conforme o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados não poderão ser repassados a nenhum partido.

O julgamento foi paralisado por um pedido de vista da ministra Estela Aranha, que terá até 30 dias para devolver o processo. A suspensão ocorre às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, marcado para domingo 16.

Ministro Kassio Nunes Marques durante sessão no Tribunal Superior Eleitoral
Presidente do TSE, ministro Nunes Marques, votou contra pedido do PT - Foto: Antônio Augusto / TSE

Antes do pedido de vista, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, votou contra a pretensão do PT. Ele advertiu que o processo afeta todas as legendas. “Não será distribuído absolutamente nada de 48% para nenhum dos partidos, porque essa decisão pode impactar nos demais”, afirmou. “Não estamos tratando de um partido.”

A controvérsia surgiu após o deputado federal Paulão (PT-AL) perder o mandato em consequência da retotalização dos votos das eleições de 2022. O PT sustenta que o cálculo realizado em 1º de julho para distribuir a parcela vinculada às cadeiras da Câmara considerou uma bancada de 68 deputados, mas deveria ter incluído Paulão.

Segundo o partido, o parlamentar precisaria ser contabilizado porque o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia suspendido em maio o processo que resultou na perda do mandato. No início de julho, porém, Toffoli reconheceu decisão de Kassio que negou recurso da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, para preservar a vaga do deputado.

Paulão havia assumido o mandato depois que o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas cassou João Catunda (PP) por suposta captação ilícita de votos, mediante o financiamento de material de campanha com recursos do Sindicato de Saúde de Maceió.

A anulação dos votos de Catunda e uma nova totalização eleitoral, entretanto, retiraram a vaga do petista. Em 9 de julho, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconheceu a decisão, e Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL) assumiu o mandato.

Ao votar, Kassio Nunes Marques argumentou que Toffoli suspendeu apenas o processo relacionado ao mandato, sem ordenar outra totalização. “A retotalização já tinha sido feita e incorporada aos sistemas oficiais da Justiça Eleitoral”, declarou.

Estela Aranha justificou o pedido de vista por também ter solicitado mais tempo para examinar o processo referente ao mandato de Paulão. “A retotalização é ato administrativo burocrático, e a situação jurídica do processo é o que realmente importa”, afirmou.

Valores

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha terá R$ 4,96 bilhões nas eleições de outubro. Desse total, 48% são divididos de acordo com as bancadas da Câmara; 35%, conforme a votação para deputado federal em 2022; 15%, pelo número de cadeiras no Senado; e 2%, igualmente entre todos os partidos.

O PT possui a segunda maior cota, de R$ 615,3 milhões, dos quais aproximadamente R$ 315 milhões correspondem ao critério agora discutido. A legenda reservou R$ 126 milhões para financiar a candidatura de Lula. Caso o cálculo seja revisto, receberá mais cerca de R$ 5 milhões, alcançando R$ 620 milhões.

O PL, que lançou o senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência, concentra a maior parcela: R$ 881,6 milhões. Aproximadamente R$ 455 milhões desse valor decorrem do tamanho de sua bancada na Câmara.