A produção brasileira de grãos deve alcançar 360,8 milhões de toneladas na safra 2025/26, crescimento de 2,4% em relação ao ciclo anterior, segundo estimativa divulgada nesta quinta-feira 13, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado representa acréscimo de 8,5 milhões de toneladas e mantém o País em patamar recorde de produção, sustentado principalmente pela soja e pelo milho.
O número consta do 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 e representa nova revisão para cima das projeções feitas ao longo da temporada. Em março, no sexto levantamento, a Conab trabalhava com produção de 353,4 milhões de toneladas. Em abril, a estimativa passou a 356,3 milhões e, no levantamento anterior, divulgado em julho, estava em aproximadamente 360 milhões de toneladas.

A expansão da produção ocorre principalmente pelo aumento da área cultivada. A Conab estima 83,5 milhões de hectares destinados aos grãos, avanço de 2,1% sobre 2024/25. A produtividade média deverá ficar em 4.322 quilos por hectare, próxima à registrada na temporada passada.
O comportamento dos dois indicadores mostra que a incorporação de novas áreas teve peso maior no crescimento da safra do que ganhos adicionais de produtividade. Ao longo da temporada, fatores climáticos produziram efeitos diferentes entre culturas e regiões, reduzindo parte do potencial produtivo em determinadas áreas.
A soja permanece como a principal cultura do país, com estimativa de 180,5 milhões de toneladas. O volume representa aproximadamente metade de todos os grãos previstos para a temporada e consolida uma safra recorde da oleaginosa.
O milho aparece na sequência, com produção projetada em 143 milhões de toneladas, considerando as diferentes safras cultivadas ao longo do ciclo. Somadas, soja e milho deverão alcançar 323,5 milhões de toneladas, quase 90% da produção brasileira de grãos estimada pela Conab.
A atualização reforça uma trajetória de aumento das estimativas ao longo de 2026. No sexto levantamento, publicado em março, a companhia projetava 353,4 milhões de toneladas, apenas 0,3% acima do ciclo anterior. No mês seguinte, a previsão subiu para 356,3 milhões, impulsionada sobretudo pelo desempenho da soja, do milho de primeira safra e do sorgo.
Apesar do resultado nacional, o clima reduziu as perspectivas para o milho em áreas do Nordeste. Segundo a Conab, as condições registradas a partir de junho prejudicaram o desenvolvimento das lavouras, principalmente no nordeste da Bahia, em Sergipe e em parte de Alagoas.
O quadro mostra a diferença regional dentro de uma temporada de produção recorde. As restrições hídricas ocorreram justamente em fases importantes para o desenvolvimento das plantas e afetaram o potencial produtivo em parte da região.
O comportamento climático é uma variável particularmente relevante para a produção nordestina, onde uma parcela das lavouras depende das chuvas e apresenta maior exposição à irregularidade das precipitações. No levantamento anterior, realizado no fim de junho, a Conab já estimava crescimento de aproximadamente 2,2% na produção nacional, para 360 milhões de toneladas. A atualização feita com informações coletadas no fim de julho acrescentou volume à projeção nacional, apesar das perdas observadas em áreas nordestinas.
Para o algodão em caroço, a produção está estimada em 5,8 milhões de toneladas. O volume corresponde a aproximadamente 4,1 milhões de toneladas de pluma. A cultura vem ocupando espaço relevante na agricultura brasileira, especialmente em sistemas de segunda safra e em áreas do Centro-Oeste e do Matopiba. O desempenho do setor também está associado à demanda externa, já que parcela expressiva da produção brasileira de pluma é destinada à exportação.
No feijão, a estimativa é de aproximadamente 3 milhões de toneladas, considerando as três safras cultivadas durante o ciclo. O resultado representa retração de 3,2% em relação a 2024/25. Apesar da redução, a Conab avalia que o volume será suficiente para atender ao consumo doméstico. Por ser um produto voltado principalmente ao mercado interno e cultivado em diferentes períodos do ano, o acompanhamento da oferta de feijão tem impacto direto sobre as expectativas para os preços dos alimentos.
A produção brasileira de arroz também deverá diminuir. A estimativa atual é de 11,1 milhões de toneladas, resultado associado principalmente à retração da área plantada.
Segundo a Conab, o cereal ocupou uma área 14% menor do que no ciclo anterior. Ainda assim, a companhia considera que a produção prevista é suficiente para atender à demanda doméstica. A redução ocorre depois de uma safra anterior marcada por oferta elevada, fator que influenciou as decisões dos produtores sobre o tamanho da área destinada ao cereal em 2025/26. A dinâmica de arroz e feijão contrasta com a expansão das duas maiores commodities agrícolas brasileiras. Enquanto soja e milho sustentam o crescimento da produção total, culturas mais diretamente relacionadas ao consumo doméstico apresentam redução de volume.
A retração mais intensa entre as principais culturas analisadas aparece no trigo. A Conab estima produção de 5,8 milhões de toneladas, queda de 26,2% em relação à safra de 2025. A principal explicação está na redução da área destinada ao cereal, estimada em 20,4%. O trigo está concentrado principalmente na Região Sul, e as decisões de plantio são influenciadas pelos preços recebidos pelos produtores, custos de produção e riscos climáticos.