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Eleições 2026

Polarização perde força com liderança de Allyson e segundo lugar vira batalha entre Álvaro e Cadu

Com o ex-prefeito de Mossoró (União) mantendo a liderança nas pesquisas e Álvaro Dias (PL) sem conseguir reduzir a distância para o primeiro colocado, o crescimento de Cadu Xavier (PT) transforma a segunda posição em uma disputa cada vez mais importante
13/08/2026 | 11:33

A expectativa de que a disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte reproduzisse automaticamente a polarização nacional entre lulismo e bolsonarismo começa a dividir espaço com outro movimento. Com Allyson Bezerra (União Brasil) mantendo a liderança nas pesquisas e Álvaro Dias (PL) sem conseguir reduzir de forma significativa a distância para o primeiro colocado, o crescimento recente de Cadu Xavier (PT) transforma a segunda posição em uma disputa cada vez mais importante.

O novo desenho não significa que a polarização tenha desaparecido. Álvaro continua associado politicamente à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), enquanto Cadu assumiu de maneira ainda mais explícita sua ligação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inclusive registrando na Justiça Eleitoral o nome “Cadu de Lula”. A dúvida passou a ser outra. Até que ponto essa divisão nacional será suficiente para retirar Allyson da liderança e levar Álvaro e Cadu ao segundo turno?

Allyson Bezerra, Robério Paulino, Cadu Xavier e Álvaro Dias lado a lado durante o debate da Band RN para o Governo do Rio Grande do Norte
Debate da Band RN reuniu os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, com mediação da jornalista Ana Ruth Dantas — Foto: Reprodução

Allyson chega à campanha oficial sem a queda que os adversários projetavam

Os números disponíveis até agora mantêm Allyson em posição confortável. Na pesquisa Agora Sei divulgada nesta semana, por exemplo, ele aparece com 39,9% das intenções de voto no cenário estimulado. Álvaro tem 25,3% e Cadu chega a 18,1%. Levantamentos divulgados nos últimos dias apresentaram variações nos percentuais, mas repetiram dois movimentos principais, a permanência de Allyson em primeiro e o avanço de Cadu.

É justamente o crescimento do petista que começa a alterar a dinâmica da corrida.

Durante boa parte da pré-campanha, aliados de Álvaro sustentaram que a eleição tenderia a se organizar entre direita e esquerda quando a campanha presidencial ganhasse as ruas. Nesse cenário, ele receberia naturalmente os eleitores identificados com Flávio Bolsonaro, enquanto Cadu concentraria o voto lulista. Allyson, situado fora dessa divisão nacional, perderia espaço à medida que o eleitor fosse levado a escolher um dos dois campos.

A hipótese ainda existe, mas enfrenta um obstáculo concreto. Allyson chegou ao início da campanha oficial sem apresentar a queda que seria necessária para confirmar essa projeção. Ao contrário, permanece liderando sucessivos levantamentos e entra no período de pedido explícito de voto com vantagem sobre os dois principais adversários.

A reserva de votos de Lula que Cadu ainda não alcançou

Para Álvaro, surge um segundo problema. Enquanto sua candidatura mantém percentuais próximos ao desempenho de Flávio Bolsonaro no Estado, Cadu ainda está muito distante da força eleitoral apresentada por Lula no Rio Grande do Norte.

Na mesma pesquisa Agora Sei, Lula alcança 58,3% das intenções de voto para presidente, contra 25,9% de Flávio Bolsonaro. Cadu, entretanto, aparece com 18,1%. Existe, portanto, um contingente expressivo de eleitores que declara voto no presidente, mas ainda não migrou para o candidato do PT ao Governo.

Esse espaço é hoje uma das principais reservas de crescimento da candidatura petista.

Cadu vem procurando explorá-lo abertamente. Além da adoção do nome “Cadu de Lula”, sua comunicação intensificou a associação com o presidente e passou a celebrar o crescimento registrado pelas pesquisas mais recentes. A estratégia deverá ganhar força com o início efetivo da campanha e, principalmente, com a propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

Para Álvaro, o movimento acende um sinal de atenção. O candidato do PL precisa continuar tentando reduzir a vantagem de Allyson, mas passa também a olhar para trás. Se Cadu conseguir transformar parte da popularidade de Lula em voto estadual, a distância entre os dois poderá cair rapidamente.

A corrida dentro da corrida

A disputa tende, por isso, a ganhar uma característica diferente daquela projetada meses atrás. Álvaro e Cadu continuarão tentando nacionalizar a eleição, cada um em seu campo. Ao mesmo tempo, precisarão travar uma batalha direta pela condição de principal adversário de Allyson.

Para Cadu, superar Álvaro significaria chegar ao segundo turno caso Allyson não alcance a maioria absoluta dos votos válidos. Para Álvaro, preservar a segunda colocação tornou-se condição indispensável antes mesmo de pensar em alcançar o líder.

O que o início oficial da campanha vai testar

O início oficial da campanha será decisivo para testar as duas estratégias. A partir de domingo, os candidatos poderão pedir votos diretamente, ampliar mobilizações de rua e tornar mais visível a vinculação com seus candidatos presidenciais. A propaganda gratuita no rádio e na televisão começa depois e deverá mostrar com maior clareza se a polarização nacional produzirá a transferência esperada pelas duas campanhas.

Há ainda outro componente. Com Allyson próximo de 40% das intenções de voto em pesquisas estimuladas e índices de brancos, nulos e indecisos que reduzem o universo considerado na apuração dos votos válidos, a possibilidade de uma definição no primeiro turno passou a fazer parte das contas políticas. Isso não significa que a eleição esteja próxima de ser decidida antecipadamente. Para vencer sem segundo turno, um candidato precisa superar 50% dos votos válidos. Mas a distância de Allyson para os adversários obriga Álvaro e Cadu a evitar que o líder amplie ainda mais sua vantagem.

A consequência é uma mudança de prioridade. Antes de disputar quem representará a direita ou a esquerda contra o outro campo ideológico, Álvaro e Cadu precisam garantir que haverá segundo turno e, principalmente, que um deles estará nele.

A campanha começa, assim, com Allyson defendendo uma liderança construída durante toda a pré-campanha, Álvaro tentando impedir que Cadu alcance sua segunda posição e o petista apostando na força de Lula para encurtar essa distância.

A polarização nacional permanece como variável importante. Mas, se os números continuarem seguindo o movimento atual, a primeira batalha decisiva da eleição potiguar poderá não ser entre esquerda e direita. Poderá ser entre Álvaro e Cadu para definir quem terá a oportunidade de enfrentar Allyson.