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Política

Governo Lula age para afastar centrão de Flávio Bolsonaro

Governo Lula tenta impedir aliança de partidos do centrão com Flávio Bolsonaro na eleição presidencial
Por O Correio de Hoje
24/07/2026 | 16:28

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atua para impedir que PP, União Brasil e Republicanos integrem a coligação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial. A estratégia busca isolar o principal adversário do petista e reduzir o tempo de propaganda eleitoral disponível para o candidato do PL. O PP já comunicou a Flávio que permanecerá neutro na eleição.

Segundo apuração da Folha de S.Paulo, emissários de Lula conversam há cerca de dois meses com dirigentes das três legendas. As tratativas começaram com a participação do presidente nacional do PT, Edinho Silva, e depois passaram a incluir o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT). No caso do União Brasil, o senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE) também participou das discussões, devido às negociações eleitorais no Ceará.

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Presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, senador Ciro Nogueira — que formam federação / Deputado Marcos Pereira, presidente do Republicanos - Foto: Instagram / Reprodução / Câmara / Reprodução

Caso conquiste o apoio dessas siglas, Flávio passaria a controlar a maior parcela do tempo de propaganda eleitoral na televisão. Em 2022, Jair Bolsonaro disputou a reeleição por uma coligação formada por PL, PP e Republicanos. Como uma aliança formal entre o centrão e Lula é considerada inviável, o Planalto procura garantir ao menos a neutralidade nacional das legendas e evitar que elas se unam ao PL.

A articulação inclui um pacto de não agressão entre o PT e candidatos do centrão nos estados, além da possibilidade de participação desses partidos em um eventual quarto governo Lula. O descontentamento de dirigentes partidários com a condução da pré-campanha de Flávio, especialmente após o escândalo “Dark Horse” e o recuo do senador nas pesquisas, ajudou a abrir espaço para o diálogo.

O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), mantinham proximidade com Flávio e chegaram a sinalizar uma possível aliança. Posteriormente, porém, afastaram-se do candidato. Os líderes das duas bancadas na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA) e Doutor Luizinho (PP-RJ), são apontados como peças importantes para o avanço das negociações.

No acordo com o PP, duas disputas estaduais recebem atenção especial. No Piauí, Lula deverá evitar ataques diretos a Ciro Nogueira, que busca a reeleição ao Senado e pretende conquistar parte do eleitorado lulista no estado, onde o presidente mantém vantagem histórica. Ciro foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, mas, no fim do ano passado, reuniu-se reservadamente com Lula e indicou que poderia afastar o PP de Flávio em troca de condições políticas para sua reeleição.

No Maranhão, a negociação envolve o ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), pré-candidato ao Senado na chapa de Eduardo Braide (PSD) ao governo estadual. Pelo entendimento em discussão, Fufuca poderá destacar sua atuação no governo Lula e utilizar a imagem do presidente sem ser acionado pelo diretório nacional do PT na Justiça Eleitoral. Uma eventual contestação, entretanto, ainda poderá partir da direção estadual petista, que lançou Felipe Camarão ao governo.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), funcionou como interlocutor entre o Planalto e a direção do Republicanos. Com o afastamento de União Brasil e PP, a legenda comandada pelo deputado Marcos Pereira (SP) tornou-se a principal esperança do PL para incorporar um partido de grande porte à coligação presidencial.

Marcos Pereira também conversa com Flávio e abriu uma consulta aos diretórios estaduais antes de definir a posição nacional da legenda, que deverá ser anunciada até 1º de agosto. Embora a maioria das executivas estaduais seja favorável à aliança com o candidato do PL, os dirigentes do Nordeste se opõem ao acordo por temerem perdas eleitorais em estados onde Lula lidera.

A cúpula do Republicanos, mesmo distante do presidente, também demonstra resistência a Flávio. O partido defendia inicialmente a candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, mas o projeto perdeu força depois que Jair Bolsonaro escolheu o filho como sucessor político. Dirigentes da sigla ainda criticam erros da pré-campanha, como o episódio “Dark Horse”, o isolamento de Flávio e sua dificuldade para negociar palanques estaduais.