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Saúde

Feridas na boca e rouquidão persistente podem indicar câncer de cabeça e pescoço

Especialista alerta que sintomas como feridas que não cicatrizam, dor ao engolir e caroços no pescoço exigem avaliação médica, já que o diagnóstico precoce pode elevar as chances de cura para até 100%.
Por O Correio de Hoje
15/07/2026 | 16:31

Feridas na boca que não cicatrizam por mais de 20 dias, rouquidão persistente por mais de um mês, dor ao engolir e caroços endurecidos no pescoço estão entre os principais sinais de alerta para o câncer de cabeça e pescoço. A orientação é do cirurgião de cabeça e pescoço Luiz Eduardo, que reforça a importância do diagnóstico precoce durante a campanha Julho Verde, voltada à conscientização sobre a doença.

Segundo o especialista, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de quase 40 mil novos casos anuais no Brasil. No Rio Grande do Norte, são esperados cerca de 800 novos diagnósticos por ano, o que, segundo ele, caracteriza um problema de saúde pública.

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Médico Luiz Eduardo fala sobre câncer - Foto: reprodução

O grupo reúne tumores que atingem boca, garganta, laringe, cordas vocais, tireoide e pele da face. Luiz Eduardo destaca que os cânceres de boca, garganta e laringe merecem atenção especial porque podem ser identificados ainda em fases iniciais durante uma consulta odontológica ou médica.

“O que a gente tem que focar é na boca, garganta e laringe, porque é uma situação onde você pode ter um diagnóstico muito inicial. Se você for a um dentista rapidamente, você abre a boca e identifica uma úlcera, uma afta que não cicatriza.”

Entre os principais sintomas estão feridas na língua, bochecha, lábios ou garganta que persistem por mais de 20 dias, dor ao engolir, rouquidão por mais de 30 dias e o surgimento de nódulos endurecidos abaixo da mandíbula.

O médico explica que nem toda “íngua” representa um câncer, mas alerta para os casos em que o caroço não diminui e continua aumentando de tamanho.

“Se você nota um nódulo mais endurecido, que não cede, muito pelo contrário, ele começa a aumentar em tamanho, isso é um sinal de alerta.”

O especialista afirma que o perfil mais frequente da doença ainda é formado por homens acima dos 60 anos que fazem uso de tabaco e álcool. No entanto, observa aumento da incidência entre pessoas mais jovens, associado principalmente à infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

Segundo ele, a vacinação de adolescentes contra o HPV integra a estratégia de prevenção adotada pelo Ministério da Saúde. Também chama atenção para lesões provocadas por próteses dentárias mal ajustadas, que podem causar feridas permanentes na boca.

Outro fator de preocupação é o crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre os jovens. Embora a comercialização seja proibida no Brasil, Luiz Eduardo alerta que os dispositivos representam riscos para a garganta e os pulmões.

“Os vapes, os cigarros eletrônicos, são avassaladores nesse sentido. Engana-se quem acha que não causa dano.”

O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para os cânceres de cabeça e pescoço. Quando associado ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas, o risco aumenta significativamente.

“O fumo é a principal causa. Aliado ao uso abusivo do álcool, ele potencializa dez vezes mais a chance.”

Segundo o médico, o tratamento depende do estágio da doença. Nos casos diagnosticados precocemente, a cirurgia costuma ser suficiente para retirar a lesão, muitas vezes com anestesia local. Já a radioterapia e a quimioterapia são indicadas principalmente em tumores mais avançados ou como complemento ao procedimento cirúrgico.

Ele ressalta que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura.

“Quando a gente pega numa fase inicial, chegamos até 90% ou até mesmo 100% de cura.”

Luiz Eduardo orienta que qualquer sintoma persistente seja avaliado por um profissional de saúde.