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Justiça

Justiça solta mãe que agrediu e cortou cabelo da filha adolescente em Natal

Caso tramita em segredo de Justiça por envolver adolescente; decisão determinou medidas cautelares, como restrição para deixar a comarca sem autorização judicial
Redação
15/07/2026 | 17:59

A Justiça concedeu liberdade provisória à mulher de 44 anos que agrediu a própria filha, uma adolescente de 16 anos, e cortou o cabelo da jovem durante uma ação registrada em vídeo e divulgada nas redes sociais. O caso tramita em segredo de Justiça por envolver uma vítima adolescente.

Francisca Lopes da Silva havia sido presa em flagrante na madrugada de terça-feira 14 para quarta-feira 15, após diligências realizadas pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte a partir da repercussão das imagens.

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Caso envolvendo agressão contra adolescente na Zona Norte de Natal segue sob investigação e tramita em segredo de Justiça Foto: Reprodução/Via Certa

Na decisão que soltou a mulher, a Justiça determinou o cumprimento de medidas cautelares. Entre as obrigações impostas, estão a proibição de se ausentar da comarca por mais de 15 dias sem comunicação ao juízo e o comparecimento obrigatório a todos os atos processuais para os quais for convocada.

O caso aconteceu no bairro Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte de Natal. A prisão foi efetuada por uma equipe da 1ª Delegacia de Plantão de Atendimento a Grupos em Situação de Vulnerabilidade (1ª DPAGV). O procedimento foi encaminhado à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA/Natal), que dará continuidade às investigações.

As imagens, que viralizaram nas redes sociais, mostram a adolescente sendo agredida pela mãe. Nas imagens, a mulher usa um cinto para bater na jovem. Além disso, ela cortou o cabelo da adolescente. A vítima aparece sem reagir durante parte da ação registrada no vídeo.

Após o acionamento do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), a Guarda Municipal de Natal foi enviada para atender a ocorrência. Durante a ação, a adolescente foi encaminhada, acompanhada do pai e do irmão, para um serviço especializado de acolhimento, onde recebeu os primeiros atendimentos.

Com o avanço das diligências, a mãe foi localizada e presa. Antes da prisão, ela afirmou que agrediu a filha como forma de correção por considerar que ela estava mentindo e seguindo “o caminho errado”.

Segundo ela, a intenção era discipliná-la e não praticar maus-tratos. “Dei o corretivo na minha filha. Porque ela estava mentindo. Dei o corretivo na minha filha porque ela foi para o caminho errado. Eu bati com o cinto. Hoje em dia, eu não posso nem corrigir. Na época da gente, meu pai não chamava a polícia. Se eu não corrigir, quem vai corrigir?”, declarou.

Ela também afirmou que sempre cuidou dos filhos e negou abandono. “Eu nunca deixei passar fome no meu filho. Lavo até roupa dos outros para sustentar meus filhos”, disse. Ela acrescentou que chegou a pensar em expulsar a filha de casa, mas desistiu.

A Polícia Civil informou que os veículos de comunicação e a população devem evitar a divulgação de imagens ou informações que possam identificar a adolescente, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e para preservar a integridade e a dignidade da vítima.

Por causa da agressão, a mulher poderá responder por maus-tratos, lesão corporal ou tortura, a depender do entendimento da Polícia Civil e do Ministério Público.

Metade dos brasileiros admite já ter dado tapas em crianças

Pesquisa do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest, mostra que, embora 91% dos brasileiros defendam o diálogo como principal forma de educar crianças, práticas violentas ainda aparecem no cotidiano. O levantamento aponta que 49% já deram tapas em crianças e 27% afirmam ter usado objetos em agressões. Outros 62% admitem já ter gritado com filhos ou crianças.

O estudo também revela que 65% dos entrevistados sofreram agressões físicas durante a infância, indicando a repetição de padrões entre gerações. Além disso, 62% afirmam que não interfeririam ao presenciar uma agressão contra uma criança em público. A pesquisa destaca ainda que 91% consideram inaceitáveis ofensas verbais e 79% rejeitam agressões com objetos.

O que mostra a pesquisa

Violência ainda faz parte da educação de muitas crianças no Brasil:

  • 91% defendem o diálogo como principal forma de educar.
  • 91% consideram inaceitável xingar ou ofender crianças.
  • 79% rejeitam agressões com objetos.
  • 64% consideram inaceitável ameaçar bater em uma criança.
  • 51% afirmam que dar tapas também é inaceitável.
  • 49% admitem já ter dado tapas em crianças.
  • 27% dizem já ter utilizado objetos para agredir menores.
  • 62% reconhecem que já gritaram com crianças.
  • 62% afirmam que não interviriam ao presenciar uma agressão em público.
  • 65% sofreram agressões físicas durante a própria infância.

Fonte: Pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes, do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest.