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Saúde Mental

Convivência com colegas pode aumentar risco de transtornos mentais, aponta estudo

Pesquisa realizada com mais de 600 mil adolescentes na Finlândia indica que o ambiente escolar e as relações sociais podem influenciar a saúde mental, embora transtornos como ansiedade e depressão não sejam contagiosos
Por O Correio de Hoje
15/07/2026 | 16:26

A convivência entre adolescentes pode exercer influência sobre a saúde mental durante uma das fases mais sensíveis do desenvolvimento humano. Uma pesquisa realizada na Finlândia com mais de 600 mil jovens nascidos entre 1985 e 2000 identificou que estudantes que conviviam com colegas diagnosticados com transtornos como ansiedade e depressão apresentavam maior probabilidade de receber diagnósticos semelhantes ao longo do tempo. Os pesquisadores afirmam que os resultados fortalecem a hipótese da chamada “transmissão social” dos transtornos mentais, embora enfatizem que essas condições não sejam contagiosas.

Os autores alertam que a expressão “transmissão social” não deve ser interpretada da mesma forma que ocorre com doenças infecciosas. O estudo não indica que transtornos mentais possam ser “passados” de uma pessoa para outra, mas sugere que emoções, comportamentos, normas sociais e experiências compartilhadas podem influenciar a forma como adolescentes percebem, enfrentam e manifestam problemas relacionados à saúde mental.

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Estudo aponta que ambiente escolar e relações sociais podem aumentar ou reduzir o risco de transtornos, como ansiedade

Os pesquisadores também destacam que diversos fatores interferem no desenvolvimento desses transtornos. Entre eles estão a predisposição genética, características familiares, o ambiente em que o adolescente vive e a qualidade das relações sociais. Além disso, os dados utilizados na pesquisa não permitem concluir que os colegas analisados fossem necessariamente amigos próximos, já que o levantamento considerou estudantes matriculados nas mesmas escolas ou residentes em uma mesma região.

O crescimento dos casos de ansiedade e depressão entre adolescentes e jovens tem sido observado em diferentes países nas últimas décadas. Mesmo com o aumento da conscientização sobre saúde mental e a ampliação do acesso aos serviços especializados, especialistas avaliam que essa população enfrenta desafios emocionais cada vez mais complexos, resultado da interação entre fatores biológicos, familiares, sociais e ambientais.

Ao analisar os dados, os pesquisadores verificaram que adolescentes que estudavam com colegas diagnosticados com transtornos mentais ou que tinham histórico familiar dessas condições apresentavam maior chance de desenvolver problemas semelhantes. A associação foi mais intensa entre estudantes que compartilhavam o ambiente escolar do que entre aqueles que apenas residiam na mesma área geográfica.

Segundo os autores, isso reforça a importância do ambiente escolar como espaço de influência sobre a saúde mental. Aspectos como cultura da escola, relações interpessoais, práticas pedagógicas e convivência cotidiana podem exercer impacto sobre o bem-estar psicológico dos estudantes.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que termos como “transmissão” ou “contágio” devem ser utilizados com cautela nesse contexto. Diferentemente das doenças infecciosas, os transtornos mentais não são transmitidos entre pessoas. Nesse caso, a expressão faz referência ao compartilhamento de comportamentos, emoções, atitudes e normas sociais que podem influenciar a maneira como os jovens lidam com o sofrimento psíquico.

Um exemplo citado pelos especialistas é a redução do estigma em torno da saúde mental. Em grupos nos quais o tema é tratado de forma aberta, adolescentes podem sentir-se mais seguros para reconhecer sintomas e buscar ajuda profissional, embora essa hipótese não tenha sido diretamente avaliada pela pesquisa.

Os autores também observam que fatores ambientais compartilhados ajudam a explicar parte dos resultados encontrados. Jovens que frequentam a mesma escola costumam estar expostos a contextos semelhantes, como métodos de ensino, ambiente social, características do bairro e experiências coletivas que podem influenciar sua saúde mental.

Apesar dos resultados, os pesquisadores reconhecem que o estudo não esclarece exatamente como essa influência ocorre nem quais mecanismos explicam a maior incidência de transtornos entre colegas. Segundo eles, novas pesquisas serão necessárias para compreender de que forma o risco para problemas de saúde mental se espalha pelas redes de convivência dos adolescentes.

Mesmo com essas limitações, a pesquisa reforça que a saúde mental dos jovens não depende apenas de fatores individuais. Para os autores, políticas voltadas ao bem-estar psicológico dos adolescentes devem considerar também a qualidade dos ambientes escolares, das relações sociais e das redes de apoio que fazem parte do cotidiano dessa população.