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Crime

[VÍDEO] Vereador de Lagoa Salgada relata três horas de sequestro após assalto: “Foi um momento de terror”

Segundo o parlamentar, ele foi rendido por três homens armados, colocado no porta-malas do próprio veículo, agredido, ameaçado de morte e abandonado amarrado em um canavial
Redação
01/07/2026 | 13:58

O vereador de Lagoa Salgada, Novinho Queiroz, foi vítima de um assalto seguido de sequestro na manhã de terça-feira 30, na zona rural de Brejinho, e permaneceu sob o poder de criminosos por cerca de três horas. Segundo o parlamentar, ele foi rendido por três homens armados, colocado no porta-malas do próprio veículo, agredido, ameaçado de morte e abandonado amarrado em um canavial. Após conseguir se soltar parcialmente, ele caminhou até encontrar agricultores, que prestaram socorro e o levaram à delegacia.

Em entrevista, Novinho contou que seguia em seu HB20 azul por volta das 7h para buscar um morador que seria levado a uma consulta médica em Monte Alegre. Sem saber, ele se aproximava da fazenda de um primo, que havia acabado de ser alvo dos mesmos criminosos.

Vereador de Lagoa Salgada, Novinho Queiroz, foi vítima de um assalto seguido de sequestro na manhã de terça-feira 30. Foto: Reprodução
Vereador de Lagoa Salgada, Novinho Queiroz, foi vítima de um assalto seguido de sequestro na manhã de terça-feira 30. Foto: Reprodução

Segundo o vereador, ao chegar próximo ao local foi surpreendido por três suspeitos que estavam em duas motocicletas e portavam uma espingarda calibre 12 e um revólver calibre 38. “Quando eu vou me aproximando da fazenda, vêm os três bandidos em duas motos. Dois em uma moto e o outro sozinho. Com uma espingarda calibre 12 e um revólver 38.”

Ele afirma que os criminosos anunciaram o assalto, abandonaram as motocicletas em uma área de mata e o colocaram no porta-malas do veículo. “Já foram me abordando dizendo que era um assalto. Abandonaram as duas motos dentro do matagal, me colocaram na mala do meu carro. Um tomou conta da direção, outro no banco da frente e outro atrás no banco traseiro.”

Ameaças e agressões

Durante o trajeto, Novinho afirma que sofreu agressões físicas e psicológicas enquanto permanecia dentro do porta-malas, sem conseguir identificar os criminosos. “Toda hora dando coronhada na minha cabeça com o revólver, com o pano coberto no meu rosto pra mim não olhar onde é que eu estava, nem olhar o rosto deles. Fazendo ameaça, pressão psicológica. Foi um momento de terror.”

Segundo ele, o grupo seguiu até um conjunto habitacional em Brejinho, onde o carro foi estacionado enquanto os suspeitos conversavam com outro homem. “Então eles pegaram com destino a cidade de Brejinho. E quando chegou na cidade de Brejinho, eles pararam num conjunto habitacional lá na cidade de Brejinho e me desligaram o carro. E eu fiquei lá na mala e o carro desligado.”

O vereador relatou ainda que sofre com problemas relacionados a ambientes fechados, situação que agravou o sofrimento durante o período em que permaneceu preso no porta-malas. “Eu tenho problema de saúde, de local fechado. Eu estava sem ar. Provavelmente pra ter um pânico.”

Tentativa de fuga

Ao perceber que os suspeitos haviam saído do veículo para conversar, Novinho decidiu tentar escapar. “E nesse momento que eu vi que eles três estavam conversando na casa de um dos amigos deles, um dos parceiros deles, eu resolvi tentar fugir do carro. Saí pela porta traseira do HB20, do lado do motorista, corri em direção a uma casa, cheguei lá, pedi socorro que estava sendo assaltado.”

Ele conta que foi visto pelos criminosos antes de conseguir ajuda. “Neste momento, quando eles notaram que eu estava fugindo do carro pra esta casa, um deles me viu e disse: ‘Ó, o gordo fugiu’.” Os suspeitos invadiram o imóvel e conseguiram capturá-lo novamente.

“E vieram pra dentro da casa já me atacando pra levar de volta pra dentro do carro. E eu fiquei me agarrando com um pra não ir, dizendo que podia levar o carro, o dinheiro que já tinha pego, os cartões de crédito, documentos, telefone. Eu dei a senha pra abrir o meu telefone, facilitei tudo pra eles, mas eles queriam de todo jeito me levar.”

Segundo o vereador, um dos homens estava armado com um revólver e outro com a espingarda calibre 12. “Neste momento que eu estava me agarrando com um, o outro já chegou com a arma em punho, um revólver, e o outro já com a 12 e conseguiram me botar na mala do HB20 novamente.”

Após a nova captura, Novinho afirma que foi levado para um canavial, onde teve as mãos e as pernas amarradas antes de ser abandonado. “Quando chegou nesse canavial, abriram a mala do carro, me levaram pra um canavial, amarraram as minhas mãos pra trás com um fio bem arrochado e minhas pernas amarraram com a minha camisa.”

Ele disse que acreditou que seria morto pelos criminosos. “Me deixaram lá estirado na areia e foi nesse momento que eu achei que eles iam atirar em mim e me matar e eu não podia fazer nada que eu estava todo amarrado.”

Após a fuga dos assaltantes com o veículo, o vereador conseguiu retirar a camisa que prendia seus pés e levantar sozinho. “Mas Jesus me livrou. Eles pegaram o carro, fugiram e quando eu notei que ele tinha saído no carro, eu consegui ficar mexendo um pé com o outro e consegui tirar a camisa dos meus pés.”

Em seguida, caminhou por uma estrada até encontrar trabalhadores rurais. “Saí andando pela estrada carroçal, vi 13 agricultores e contei toda a história que era de Lagoa Salgada, era vereador, filho de Orlando Queiroz. Meu pai era comerciante, foi ex-prefeito. Inclusive o senhor que me atendeu disse que conhecia meu pai e pediu ao neto dele que me levasse até a cidade de Brejinho, na delegacia.”

Atendimento médico

Após ser resgatado, Novinho recebeu atendimento inicial na unidade de saúde de Brejinho e, posteriormente, foi transferido para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal.

No hospital, passou por exames de imagem na cabeça e no corpo em razão das agressões sofridas. Apesar dos ferimentos, recebeu alta médica ainda na noite de terça-feira e seguirá a recuperação em casa.

O caso deverá ser investigado pelas forças de segurança para identificar os autores do assalto, do sequestro e das agressões sofridas pelo vereador. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre suspeitos presos ou sobre a recuperação do veículo roubado.