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Justiça

Igor tenta escapar do júri popular

Defesa do réu por espancar Juliana Soares com 61 socos busca retirar a acusação de tentativa de feminicídio e levar o caso a um juiz singular
Por O Correio de Hoje
01/07/2026 | 15:42

O julgamento de Igor Cabral, réu por tentativa de feminicídio, ainda não tem data definida para acontecer. Mesmo com a decisão do Juízo da 1ª Vara Criminal de Natal, que determinou que o acusado fosse submetido ao Tribunal do Júri, ele ainda tem a possibilidade de recorrer para ser julgado por um juiz comum.

Igor Eduardo Pereira Cabral foi acusado de espancar a então namorada, Juliana Soares, com 61 socos dentro de um elevador de um condomínio no bairro Ponta Negra, na Zona Sul de Natal, em julho de 2025. O crime ganhou repercussão após imagens do circuito interno de segurança do local mostrarem as agressões.

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Advogado criminalista Thiago Praxedes: envio ao júri ainda cabe recurso - Foto: reprodução

O advogado criminalista Thiago Praxedes explica que, embora o juiz tenha pronunciado o réu para o Tribunal do Júri, enquanto não for esgotada a possibilidade de recurso, o julgamento não será marcado.

“Embora o juiz tenha pronunciado o réu para julgamento pelo Tribunal do Júri, essa decisão de pronúncia ainda pode ser recorrida por meio de recurso previsto no artigo 581, inciso IV, do Código de Processo Penal. Enquanto esse recurso não for apreciado, o julgamento pelo júri não é designado”, disse.

Segundo o advogado, primeiramente o réu entra com um recurso no Tribunal de Justiça do Estado. Se não houver êxito, ainda há possibilidade de recorrer a instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça e, por fim, ao Supremo Tribunal Federal.

Para que o réu seja julgado por um juiz comum, e não passe pelo Tribunal do Júri, a defesa precisa provar que o crime que ele cometeu não é doloso contra a vida, ou seja, a tese de tentativa de feminicídio precisa ser descartada.

“Superadas essas etapas, ou seja, a análise de todos esses recursos cabíveis, quando essa decisão de pronúncia transitar em julgado — isto é, quando não houver mais recurso cabível —, aí sim o processo segue para a realização do julgamento pelo Tribunal do Júri”, explicou o advogado.

Decisão

Na decisão da 1ª Vara Criminal de Natal, o magistrado também manteve a prisão preventiva de Igor Cabral. Ao fundamentar a medida, ressaltou a gravidade do crime, citando o “modus operandi de extrema violência e crueza”.

O processo ainda aponta que Juliana Soares sofreu fraturas graves no rosto e precisou passar por cirurgia de reconstrução facial, com a colocação de sete placas de titânio e 31 parafusos. Ela também ficou com sequela neurológica permanente, com paralisia facial do lado direito.

O juiz ainda considerou que as imagens do circuito interno do elevador são determinantes para o andamento do processo. A decisão enfatizou que os vídeos mostram Igor encurralando a vítima e desferindo uma sequência de socos, inclusive quando ela já estava caída no chão.

Já a defesa do acusado argumentou que, mesmo com a gravidade das lesões, não houve risco imediato de morte. No entanto, o entendimento da Justiça foi de que esse ponto não impede o reconhecimento da tentativa de feminicídio. Segundo a decisão, a intenção de matar pode ser analisada pelo tipo de agressão e pela forma como ela foi praticada.

O caso

O crime aconteceu no dia 26 de julho de 2025, em um condomínio no bairro Ponta Negra, na Zona Sul de Natal. As agressões sofridas por Juliana Soares foram registradas por uma câmera de segurança localizada dentro do elevador. O acusado desferiu 61 socos na vítima e chegou a atingi-la mesmo após ela ter caído no chão.

A mulher saiu do elevador com o rosto ensanguentado e foi levada ao Hospital Walfredo Gurgel, onde foram constatadas múltiplas fraturas no rosto e no maxilar. Ela passou por cirurgia e recebeu alta hospitalar em 4 de agosto.

Após a prisão, Igor Cabral foi transferido para a Cadeia Pública de Ceará-Mirim. De acordo com a Polícia Civil, antes da agressão o casal teria discutido na área de lazer do residencial durante um churrasco com os amigos, momento em que o acusado jogou o celular da vítima na piscina.

Em 7 de agosto, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Norte, tornando Igor Cabral réu por tentativa de feminicídio. A defesa de Igor Cabral afirmou que pediu liberdade provisória, a realização de exames psicológicos e toxicológicos, além da mudança da acusação de tentativa de feminicídio para lesão corporal.