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Segurança Pública

Vereador do PT é preso suspeito deligação com PCC

Polícia aponta que Senival Moura exercia influência sobre concessionária de ônibus usada para movimentar recursos ligados à facção criminosa
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 16:01

A Polícia Civil de São Paulo prendeu, nesta quinta-feira 25, o vereador da capital Senival Moura (PT), apontado como um dos principais integrantes de um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa Transunião Transportes, concessionária que opera 50 linhas de ônibus na Zona Leste da capital. Outras duas pessoas também foram presas, enquanto dois investigados seguem foragidos.

A operação é mais um desdobramento das investigações sobre a infiltração do crime organizado no transporte coletivo paulistano. A Prefeitura informou que o serviço de ônibus será mantido normalmente e que decretará intervenção na empresa, como ocorreu anteriormente com as concessionárias UpBus e Transwolff.

Senival Moura foto Afonso Braga CMSP
Senival Moura exercia influência sobre administração e finanças de empresa, diz PC - Foto: Afonso Braga / CMSP

As investigações começaram após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. A análise de celulares, pen drives e documentos apreendidos revelou, segundo a polícia e o Ministério Público, um esquema de controle da empresa por pessoas ligadas ao PCC, com uso da concessionária para lavagem de dinheiro.

De acordo com os investigadores, Senival exercia, na prática, influência sobre a administração e as finanças da empresa. Mensagens interceptadas indicam que ele era citado como “vereador” ou “veio” por operadores responsáveis por solicitar repasses de dinheiro. Planilhas internas também registravam seu nome vinculado a pelo menos 13 ônibus da frota, além de documentos encontrados em seu escritório político relacionando-o à Transunião.

A polícia afirma ainda que Adauto foi morto em razão de disputas internas sobre a gestão financeira da empresa e supostos desvios de recursos que beneficiariam o grupo ligado ao vereador. Uma carta atribuída a integrantes do PCC, apreendida durante a investigação, reforça a hipótese de que o homicídio foi motivado por conflitos envolvendo a distribuição de milhões de reais.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras entre a Transunião e a distribuidora Duvale, empresa já investigada por integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC. Segundo a Polícia Civil, a concessionária movimentou mais de R$ 2 milhões com a empresa, o que pode ter servido para ocultar recursos de origem criminosa.

A defesa de Senival afirmou receber “com profunda indignação” a decretação da prisão temporária e sustentou que o vereador não exerce qualquer função de gestão na Transunião há mais de seis anos. Disse ainda que ele confia na Justiça, colaborará com as investigações e provará sua inocência.

Em nota, o PT informou que acompanhará o caso, encaminhou o episódio à Comissão de Ética do partido e ressaltou que assegurará ao vereador o direito à ampla defesa. A legenda afirmou ainda que não compactua com práticas ilícitas e reiterou seu compromisso com o combate ao crime organizado.