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Economia

Alta global de juros pressiona no Brasil

Guerra no Oriente Médio eleva preocupações com a inflação global, fortalece o dólar e torna o cenário mais desafiador para países como o Brasil
Por O Correio de Hoje
30/06/2026 | 14:26

A escalada dos preços do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio levou bancos centrais das principais economias a reverem suas perspectivas para a política monetária, reduzindo as expectativas de cortes de juros e reacendendo preocupações com a inflação global. O novo cenário altera o fluxo internacional de capitais, aumenta a seletividade dos investidores e amplia a pressão sobre países emergentes com fragilidades fiscais, entre eles o Brasil.

A mudança representa uma inflexão em relação ao início do ano, quando predominava a expectativa de flexibilização monetária nas economias desenvolvidas. Naquele momento, investidores buscavam diversificar aplicações para além dos Estados Unidos, movimento que favoreceu o ingresso de recursos no mercado brasileiro e contribuiu para a valorização do real. Em 18 de maio, o dólar chegou a ser negociado a R$ 4,998. Com a deterioração do cenário externo, a moeda norte-americana voltou ao patamar de R$ 5,20.

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Escalada da guerra faz petróleo altera expectativas para bancos centrais - Foto: reprodução / internet

A percepção do mercado é de que o ciclo global de redução de juros perdeu força. “Se olharmos para dois meses atrás, todo aquele ciclo de corte saiu da mesa. Agora, ou é juro parado ou para cima”, afirma Barros, da ARX. Segundo ele, um ambiente de juros internacionais mais elevados reduz o espaço para ajustes graduais nas contas públicas brasileiras. “O Brasil não vai ter tempo nem espaço para fazer um ajuste gradual. Vai ter de fazer um ajuste rápido.”

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros inalterada em sua reunião mais recente, mas reforçou a preocupação com os efeitos inflacionários da alta da energia. A maior parte dos dirigentes passou a considerar possível uma nova elevação das taxas. Para Benjamin Mandel, sócio e chefe de pesquisa da Jubarte Capital, o aumento do petróleo tende a contaminar gradualmente os núcleos de inflação. “O raciocínio para cortar juros sumiu. Então, o debate ficou entre manter ou subir as taxas”, afirma.

O movimento também alcançou outras economias desenvolvidas. O Banco Central Europeu elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para 2,25%, na primeira alta desde 2023. No Japão, a autoridade monetária levou as taxas ao maior nível em 31 anos, em resposta à aceleração dos preços. A mudança sincronizada na postura das principais autoridades monetárias reduz a liquidez internacional e torna os ativos de mercados emergentes relativamente menos atrativos.

Segundo Milena Landgraf, sócia e chefe de estratégia macro da Jubarte Capital, o comportamento dos juros globais exerce influência direta sobre os fluxos destinados ao Brasil. “Se temos um mundo em que o Fed tem oportunidade para cortar juros ou onde os juros globais são mais baixos, geralmente é um ambiente mais positivo para mercados emergentes, e o Brasil surfa essa onda”, afirma. Em contrapartida, quando as economias centrais apertam a política monetária, o ambiente se torna mais desafiador para países como o Brasil.