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IBM

IBM projeta chips 50% mais potentes

Nova tecnologia de semicondutores poderá ampliar desempenho e reduzir consumo de energia, com aplicações voltadas principalmente à inteligência artificial e à computação em nuvem
Por O Correio de Hoje
29/06/2026 | 12:50

A IBM apresentou nesta quinta-feira 25 uma nova arquitetura de semicondutores que, segundo a companhia, poderá elevar em até 50% o desempenho dos microprocessadores e reduzir significativamente o consumo de energia na próxima geração de chips. O projeto, denominado “0,7 nanômetro (nm)”, representa o estágio mais avançado das pesquisas da empresa na área de miniaturização e, embora ainda esteja distante da produção comercial, sinaliza a direção tecnológica que deverá orientar a indústria de semicondutores ao longo da próxima década.

O conceito sucede a tecnologia de 2 nanômetros apresentada pela IBM em 2021, cuja produção em larga escala começou no fim de 2025 por fabricantes licenciados. A empresa, que atua como desenvolvedora de tecnologias e licenciadora de propriedade intelectual — sem fabricar chips diretamente — estima que os primeiros processadores baseados na nova arquitetura só poderão chegar ao mercado em um prazo mínimo de cinco anos.

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Além de mais potentes, os novos chips gastam menos energia - Foto: Reprodução

Apesar da nomenclatura, a referência de 0,7 nanômetro não corresponde ao tamanho físico dos transistores ou dos componentes internos do chip. A medida funciona como um indicador da evolução tecnológica da indústria, representando o aumento da densidade dos circuitos integrados. Quanto menor essa escala, maior tende a ser o número de transistores acomodados na mesma área de silício, ampliando a capacidade de processamento e a eficiência energética.

Segundo a IBM, a nova arquitetura permitirá integrar aproximadamente 100 bilhões de transistores em um chip com área equivalente à de uma unha, praticamente o dobro da densidade obtida na geração de 2 nanômetros. Esse avanço deverá proporcionar um salto na capacidade computacional, especialmente em aplicações que exigem elevado poder de processamento, como inteligência artificial, computação em nuvem e análise de grandes volumes de dados.

De acordo com as projeções da companhia, os chips baseados nessa tecnologia poderão entregar desempenho cerca de 50% superior ao das gerações atuais e executar até 1,7 vez mais operações consumindo a mesma quantidade de energia. O ganho de eficiência é considerado um dos principais desafios da indústria diante da rápida expansão da demanda por infraestrutura de inteligência artificial, cujos data centers apresentam elevado consumo elétrico.

A IBM afirma que a tecnologia poderá ser empregada tanto em CPUs, utilizadas em computadores pessoais e servidores, quanto em GPUs, processadores especializados em tarefas paralelas e amplamente adotados no treinamento e na operação de modelos de inteligência artificial. A possibilidade amplia o potencial de aplicação da arquitetura em diferentes segmentos da indústria de tecnologia.

O desenvolvimento ocorre em um momento de forte competição global pela liderança em semicondutores avançados. Empresas como Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), Samsung e Intel aceleram investimentos para reduzir a escala de fabricação dos chips comerciais, enquanto a demanda por componentes de alto desempenho cresce impulsionada pelo avanço da inteligência artificial generativa e pela expansão dos data centers.

Embora o conceito ainda esteja restrito aos laboratórios de pesquisa, a IBM traçou um cronograma de longo prazo para a continuidade da miniaturização. Segundo Huiming Bu, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento de semicondutores da empresa, a expectativa é que a evolução tecnológica permita alcançar arquiteturas próximas de 0,1 nanômetro por volta de 2040, desde que novos materiais e técnicas de fabricação acompanhem o ritmo da inovação.

Especialistas do setor avaliam que a redução contínua da escala dos semicondutores tende a enfrentar desafios cada vez maiores relacionados aos limites físicos do silício, à dissipação de calor e aos custos de fabricação. Por isso, o avanço dependerá não apenas da miniaturização, mas também da adoção de novos materiais, arquiteturas tridimensionais e processos de litografia mais sofisticados.

Ao apresentar a nova tecnologia, a IBM reforça sua estratégia de atuar como uma das principais desenvolvedoras de inovação para a indústria global de semicondutores. Mesmo sem competir diretamente na fabricação de chips, a companhia mantém papel relevante na definição das próximas gerações de processadores, fornecendo tecnologias que posteriormente poderão ser incorporadas por fabricantes responsáveis pela produção em escala comercial.