Ter uma reserva de emergência é uma das principais recomendações para quem busca maior estabilidade financeira. Embora a educação financeira tenha avançado nos últimos anos, muitos brasileiros ainda enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento e formar uma poupança capaz de enfrentar situações inesperadas. Levantamento da Pesquisa Global de Educação Financeira 2025, realizada pelo Santander em parceria com o Instituto Ipsos UK, mostra que apenas 47% dos brasileiros afirmam ter recursos suficientes para manter as despesas por até três meses em caso de imprevistos.
A reserva financeira funciona como uma proteção para situações como desemprego, problemas de saúde, consertos emergenciais na casa ou outras despesas inesperadas. Além de reduzir a necessidade de recorrer a empréstimos, ela oferece mais tranquilidade para lidar com momentos de instabilidade econômica. Segundo Camila Poltronieri Flaquer, Head de Cobrança Digital (B2C) da Recovery, a ausência dessa reserva pode agravar rapidamente qualquer dificuldade financeira.

“Sem uma quantia poupada, qualquer imprevisto pode rapidamente se transformar num problema sério, obrigando o consumidor a recorrer a empréstimos caros e aumentando o risco de endividamento.”
Para a especialista, o primeiro passo é conhecer exatamente quanto entra e quanto sai do orçamento todos os meses. A partir desse controle, torna-se mais fácil identificar despesas que podem ser reduzidas e criar espaço para começar a poupar.
Criar uma reserva de emergência não depende necessariamente de uma renda elevada. O mais importante é desenvolver o hábito de guardar dinheiro de forma constante, ainda que o valor inicial seja pequeno. Uma das estratégias recomendadas é utilizar a regra 50/30/20, que divide a renda mensal entre três categorias: 50% para despesas essenciais, como moradia, alimentação e contas fixas; 30% para gastos pessoais e lazer; e 20% destinados à poupança e investimentos.
Camila ressalta, porém, que nem todas as pessoas conseguem reservar esse percentual logo no início.
“Para muitas pessoas, começar logo de cara com uma reserva de 20% mensais pode ser desafiador. Porém, o mais importante é criar o hábito de separar um valor, mesmo que seja menor.”
Especialistas também recomendam estabelecer objetivos financeiros de curto, médio e longo prazo para manter a motivação durante o processo de economia. A reserva de emergência pode ser o primeiro passo antes de metas maiores, como comprar um imóvel, trocar de carro ou planejar a aposentadoria.
Aplicativos de controle financeiro e ferramentas oferecidas pelos bancos podem facilitar esse acompanhamento, permitindo registrar receitas, despesas e programar transferências automáticas para uma conta destinada exclusivamente à reserva. O monitoramento também ajuda a identificar gastos considerados não essenciais, como assinaturas pouco utilizadas, pedidos frequentes de delivery ou compras por impulso.
A reserva de emergência deve ser mantida em uma aplicação separada da conta utilizada no dia a dia, reduzindo o risco de utilização para despesas comuns. Para quem está começando, a poupança pode ser uma alternativa simples e de fácil acesso. À medida que a reserva cresce, é possível buscar investimentos com maior rentabilidade, desde que ofereçam liquidez, permitindo o resgate rápido dos recursos quando necessário.
Dívidas
Outro ponto considerado essencial é manter as contas em dia e buscar a renegociação de débitos quando houver dificuldades financeiras. Juros e multas podem comprometer a capacidade de poupança e dificultar a construção da reserva de emergência.
Segundo a especialista, consumidores endividados podem recorrer a empresas especializadas em negociação de dívidas para obter descontos e condições de parcelamento mais favoráveis. Com as finanças reorganizadas, torna-se mais viável criar uma reserva financeira e reduzir a vulnerabilidade diante de imprevistos futuros.