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Saúde

Má qualidade do sono pode acelerar avanço do Alzheimer

Pesquisas indicam que alterações no sono podem surgir antes dos sintomas cognitivos e estar ligadas a processos inflamatórios associados à doença
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 14:07

A relação entre qualidade do sono e doença de Alzheimer vem ganhando cada vez mais atenção da comunidade científica. Novos estudos sugerem que as alterações no sono podem não ser apenas uma consequência da doença, mas também desempenhar um papel importante em seu desenvolvimento e progressão.

As pesquisas mais recentes reforçam evidências de que fatores ambientais e processos inflamatórios que afetam o cérebro podem influenciar diretamente os ritmos biológicos, a qualidade do descanso noturno e alterações neurológicas associadas ao Alzheimer. Os resultados ampliam a compreensão sobre mecanismos que podem contribuir para o surgimento da doença e abrem espaço para novas estratégias de prevenção.

sono

A má qualidade do sono e as alterações dos ritmos circadianos — o relógio biológico responsável por regular ciclos de sono e vigília — estão entre os sintomas frequentemente observados em pessoas com Alzheimer. Em muitos casos, essas mudanças surgem anos antes do aparecimento de déficits cognitivos mais severos. Dois estudos conduzidos por pesquisadores do Centro Sanders-Brown sobre o Envelhecimento, da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, buscaram compreender melhor como fatores externos e processos biológicos influenciam essa relação.

As pesquisas investigaram especificamente os efeitos da exposição à luz fraca durante a noite e o papel da neuroinflamação sobre o sono e os ritmos biológicos em modelos experimentais da doença de Alzheimer. Em conjunto, os resultados apontam para fatores potencialmente modificáveis que podem exercer influência sobre a saúde cerebral durante o envelhecimento.

O primeiro trabalho, publicado na revista científica SLEEP, avaliou o impacto da exposição à luminosidade noturna de baixa intensidade. Esse tipo de luz está presente em situações comuns do cotidiano, como aparelhos de televisão ligados durante a noite, telas de celulares, iluminação de corredores, lâmpadas externas e postes de iluminação urbana.

Segundo os pesquisadores, a exposição contínua a esse tipo de luminosidade foi capaz de reduzir a estabilidade dos ritmos circadianos e aumentar sua fragmentação. Em modelos experimentais de Alzheimer, os efeitos foram ainda mais amplos.

Os cientistas observaram que a luz fraca durante a noite provocou um leve aumento no acúmulo da proteína beta-amiloide, uma das principais características biológicas associadas à doença. Além disso, foram identificadas alterações na atividade da microglia, conjunto de células responsáveis pela defesa imunológica do sistema nervoso central.

De acordo com o estudo, a microglia passou a apresentar um estado de maior ativação imunológica, fenômeno que pode contribuir para processos inflamatórios dentro do cérebro.

Já o segundo estudo, publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, concentrou-se em compreender o que leva ao surgimento dos distúrbios do sono após o início das alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer.

Os pesquisadores acompanharam padrões de sono, ritmos de atividade diária, desempenho cognitivo e marcadores inflamatórios. Os resultados mostraram que alterações no sono e ritmos circadianos mais fragmentados surgiram ainda na meia-idade, antes mesmo do aparecimento de perdas significativas de memória.

A descoberta reforça a hipótese de que os distúrbios do sono podem representar um dos primeiros sinais associados ao processo neurodegenerativo.

Na etapa seguinte da pesquisa, a equipe avaliou os efeitos de uma substância experimental chamada MW151. O composto atua sobre processos inflamatórios excessivos gerados por células gliais, estruturas que exercem funções de suporte e proteção aos neurônios.

Os resultados mostraram que o tratamento promoveu melhora nos padrões de sono e restaurou ritmos biológicos mais próximos do normal.