O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira 25 que vê com preocupação o avanço da inteligência artificial (IA) e avalia que, no futuro, a tecnologia poderá deixar de depender da intervenção humana. A declaração foi feita durante uma cerimônia da Petrobras, em Mato Grosso do Sul.
Segundo Lula, sua percepção é de que a inteligência artificial tende a evoluir a ponto de escapar do controle de quem a desenvolveu. “Na minha intuição, a IA é um monstro que vai fugir do conhecimento do ser humano, e vai se autorregular sozinha. Não está longe o dia em que a IA não vai mais precisar do ser humano. Aí é o ser humano perdendo o controle de uma coisa que ele criou”, afirmou.

O presidente também disse que prefere confiar na capacidade humana e ressaltou que aspectos como empatia e solidariedade não podem ser substituídos pela tecnologia.
“Eu prefiro lidar com a inteligência humana. Nós precisamos ter sentimento, paixão, solidariedade. A gente não pode virar algoritmo. Algoritmo não tem coração, não tem visão social, não estende a mão para quem necessita mais”, declarou.
As declarações ocorrem em um momento de expansão do uso da inteligência artificial no Brasil. O país lidera a adoção da tecnologia na América Latina e figura entre os maiores usuários do ChatGPT no mundo, dependendo do critério utilizado. Levantamento do Ipsos para o Google mostra que 71% dos brasileiros conectados já utilizaram algum chatbot de IA, percentual superior à média global, de 62%.
Apesar das ressalvas feitas por Lula, o governo federal mantém uma estratégia para ampliar o desenvolvimento da inteligência artificial no país. Lançado em 2024, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028 com o objetivo de fortalecer a indústria nacional e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras.