A OpenAI avalia que as eleições presidenciais de 2026 representarão um dos maiores desafios já enfrentados pelas ferramentas de inteligência artificial no Brasil. Em entrevista ao jornal O Globo, o diretor de Políticas Públicas da empresa para a América Latina, Bruno Lewicki, afirmou que o processo eleitoral “não será um passeio no parque” e exigirá atuação conjunta entre empresas de tecnologia e autoridades eleitorais para combater desinformação e uso indevido da IA.
Segundo o executivo, a empresa vem intensificando a cooperação com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pretende ampliar, nos próximos meses, iniciativas voltadas ao fornecimento de informações oficiais aos usuários e ao fortalecimento de mecanismos de transparência sobre conteúdos produzidos por inteligência artificial.

Lewicki destacou que a adesão da OpenAI ao Programa de Combate à Desinformação do TSE representa um primeiro passo nessa estratégia.
“A gente vai avançar nos próximos meses com outras medidas para garantir que informação que provenha de fontes oficiais, ou de fontes relevantes, seja disponibilizada pelos nossos produtos”, afirmou.
Outro eixo de atuação citado pelo executivo é o aumento da transparência por meio de tecnologias capazes de identificar conteúdos gerados por inteligência artificial. Ele mencionou a adoção do SynthID, sistema que insere marcas d’água invisíveis em imagens produzidas por IA, embora reconheça que a ferramenta não resolve todos os problemas relacionados à desinformação.
“O SynthID não é uma bala de prata para resolver todos os problemas do mundo ou todos os supostos problemas do uso de tecnologia em eleições. É uma ferramenta importante para tentar resolver a questão da proveniência dos conteúdos”, disse.
A OpenAI também afirma manter mecanismos internos para impedir que seus sistemas sejam utilizados para interferir em processos eleitorais. De acordo com Lewicki, as políticas da empresa proíbem esse tipo de utilização e contam com equipes de segurança dedicadas à identificação de tentativas de abuso.
O executivo ressaltou, porém, que o tamanho das eleições brasileiras torna inevitável o surgimento de desafios ao longo da campanha.
“Sabemos que é um processo eleitoral gigantesco, com centenas de milhares de candidatos. Eu não acho que vai ser um passeio no parque. Problemas e incidentes acontecerão e a gente vai aprender em tempo real para que eles não se repitam”, afirmou.
Na avaliação do diretor, o aprendizado conjunto entre empresas de tecnologia e Justiça Eleitoral deverá fortalecer os mecanismos de proteção do processo democrático ao fim das eleições.
Lewicki informou ainda que a OpenAI trabalha para adaptar seus produtos às regras estabelecidas pelo TSE para o uso de inteligência artificial durante a campanha, embora ainda não tenha definido eventuais mudanças específicas no funcionamento do ChatGPT durante o período imediatamente anterior à votação.
Sobre a possibilidade de auditorias externas para verificar eventual viés político dos modelos de inteligência artificial, o executivo afirmou que essa hipótese não está em discussão no momento e destacou que o tribunal tem priorizado parcerias com universidades e entidades da sociedade civil para acompanhar o funcionamento dessas tecnologias.
“A gente pretende intensificar essa colaboração para que todo mundo esteja muito tranquilo com relação a esse ponto”, declarou.