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Cuba

Crise energética leva cubanos a cozinhar com carvão e lenha em meio a apagões prolongados

Escassez de combustível e cortes de energia de até 20 horas por dia afetam rotina da população e agravam dificuldades econômicas na ilha
Por O Correio de Hoje
02/06/2026 | 14:34

A crise energética em Cuba tem levado milhares de famílias a recorrerem ao uso de carvão, lenha, papelão e outros materiais improvisados para preparar alimentos. Com a escassez de combustível e apagões que chegam a durar até 20 horas por dia fora de Havana, cozinhar em fogões improvisados tornou-se rotina em diversas regiões do país.

Em Santiago de Cuba, segunda maior cidade da ilha, moradores relatam dificuldades crescentes para obter gás de cozinha e energia elétrica. A situação se agravou após a redução do fornecimento de petróleo vindo da Venezuela e de outros países, cenário que o governo cubano atribui ao endurecimento das sanções dos Estados Unidos.

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Crise energética leva cubanos a cozinharem com lenha e carvão - Foto: Reprodução

A falta de combustível também afetou a produção de gás liquefeito de petróleo, utilizado por grande parte da população. Sem alternativas, muitos moradores passaram a utilizar carvão ou madeira dentro das próprias residências, apesar dos riscos à saúde causados pela fumaça e pela fuligem.

A crise energética se soma a uma economia já fragilizada por anos de recessão, inflação, escassez de produtos básicos e forte migração da população. Em Santiago, considerada mais pobre que Havana e menos beneficiada por remessas enviadas do exterior, os efeitos são ainda mais severos. Pequenos negócios enfrentam dificuldades para funcionar devido à falta de eletricidade, reduzindo renda e oportunidades de trabalho.

A deterioração das condições de vida também tem acelerado o êxodo populacional. Nos últimos anos, centenas de milhares de cubanos deixaram o país em busca de melhores oportunidades no exterior, especialmente nos Estados Unidos e em outras nações da América Latina. A saída de trabalhadores e famílias inteiras tem contribuído para o esvaziamento de bairros e conjuntos habitacionais, ao mesmo tempo em que reduz a atividade econômica local e aprofunda os desafios enfrentados pelo governo para manter serviços básicos e estimular a recuperação da economia.

Especialistas apontam que a situação resulta da combinação entre sanções econômicas, redução do fornecimento externo de combustível e problemas estruturais da rede elétrica cubana, marcada por décadas de subinvestimento e falta de manutenção. O governo dos Estados Unidos, por sua vez, atribui a crise principalmente à gestão econômica do regime cubano.

Diante das dificuldades, muitos cubanos afirmam que a preocupação principal deixou de ser identificar as causas da crise e passou a ser garantir a sobrevivência diária. Entre apagões prolongados, escassez de gás e dificuldades para obter alimentos, a população tenta encontrar alternativas para manter a rotina em meio ao agravamento das condições de vida na ilha.