O governo do Irã anunciou a suspensão das negociações com os Estados Unidos para um acordo destinado a encerrar o conflito iniciado em fevereiro, alegando que a intensificação das ações militares de Israel no Líbano e na Faixa de Gaza viola os termos do cessar-fogo firmado entre Teerã e Washington em abril.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a trégua deve ser aplicada a todas as frentes de conflito da região. Segundo ele, ataques no Líbano ou em Gaza representam descumprimento do acordo. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também acusou os Estados Unidos de não respeitarem os compromissos assumidos.

A decisão ocorre em meio ao agravamento da situação em Gaza, onde autoridades locais relatam centenas de mortes desde o anúncio do cessar-fogo em 2025. O governo de Israel ampliou operações militares no território e também intensificou ataques contra posições do Hezbollah no Líbano. O grupo libanês, aliado do Irã, continua trocando ataques com forças israelenses apesar da existência de uma trégua formal.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a suspensão das conversas e afirmou que os contatos com o Irã continuam. Em redes sociais, declarou ainda que conversou com autoridades israelenses e com representantes do Hezbollah para tentar conter a escalada militar, embora os detalhes dessas tratativas não tenham sido divulgados.
O conflito no Líbano tornou-se um dos principais pontos de tensão. Israel mantém operações militares no sul do país e defende a criação de uma zona de segurança próxima à fronteira. Em resposta, o Hezbollah continua utilizando foguetes, mísseis e drones contra alvos israelenses. Apesar de declarações favoráveis a um cessar-fogo, os dois lados indicaram que manterão suas operações militares.
Além de interromper as negociações, o Irã elevou o tom das ameaças. O comandante da Força Quds, Esmail Ghaani, afirmou que Teerã poderá ampliar a pressão sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, corredor estratégico por onde passa cerca de 12% do comércio marítimo mundial. A região já foi alvo de ataques dos houthis do Iêmen, também aliados iranianos.
Enquanto isso, análises recentes apontam que o Irã conseguiu restaurar parte significativa de sua infraestrutura militar subterrânea atingida por bombardeios americanos e israelenses. Especialistas avaliam que o país ainda mantém um grande arsenal de mísseis e capacidade de reação caso o conflito volte a se intensificar.