BUSCAR
BUSCAR
OpenAI

Musk perde ação contra OpenAI

Júri conclui que processo contra criadora do ChatGPT foi apresentado fora do prazo; bilionário promete recorrer da decisão
19/05/2026 | 11:30

O empresário Elon Musk saiu derrotado em uma disputa judicial de grande repercussão contra a OpenAI e seu CEO e cofundador, Sam Altman. O júri concluiu que Musk demorou além do prazo legal para mover a ação e decidiu que as alegações apresentadas prescreveram.

Musk acusava a OpenAI de abandonar sua missão original de atuar como uma organização científica e humanitária sem fins lucrativos após a reestruturação da companhia sob a liderança de Altman. O empresário participou da fundação da OpenAI em 2015, mas deixou a organização três anos depois.

Musk 01

Desde então, a empresa responsável pelo ChatGPT passou de startup de pesquisa em inteligência artificial para uma das companhias privadas mais valiosas do setor de tecnologia. A OpenAI é atualmente avaliada em cerca de US$ 850 bilhões antes de uma eventual abertura de capital.

A defesa da OpenAI sustentou que Musk só decidiu processar a companhia após o sucesso comercial da plataforma. Os advogados argumentaram que o empresário já possuía conhecimento suficiente sobre os fatos alegados anos antes de acionar a Justiça, o que levou o júri a considerar o processo intempestivo.

Durante três semanas de julgamento, os jurados ouviram depoimentos de Musk, Altman, do presidente da OpenAI, Greg Brockman, e de outras pessoas ligadas à trajetória da empresa. Também foram analisadas centenas de mensagens privadas, registros pessoais e documentos corporativos internos que expuseram detalhes da relação entre os fundadores da companhia.

A equipe jurídica de Musk afirmou que Altman e Brockman “roubaram uma instituição beneficente” ao transformar a OpenAI em uma empresa com fins lucrativos no momento em que a startup consolidou sua parceria com a Microsoft. A companhia liderada por Satya Nadella é hoje a principal parceira estratégica da OpenAI e detém cerca de 27% da startup.

Os advogados de Musk também tentaram retratar Altman como um executivo “enganador”, citando sua destituição temporária do cargo de CEO em 2023 como evidência de desconfiança interna dentro da organização.

O julgamento também trouxe à tona os ganhos financeiros obtidos pelos primeiros integrantes da OpenAI. Brockman afirmou que sua participação acionária está próxima de US$ 30 bilhões, enquanto o ex-cientista-chefe Ilya Sutskever declarou possuir uma fatia avaliada em aproximadamente US$ 7 bilhões.

Nadella afirmou durante o processo que a Microsoft projeta um retorno de US$ 92 bilhões sobre os investimentos realizados na OpenAI. Em outubro, a participação da empresa na startup era estimada em US$ 135 bilhões. Altman declarou não possuir participação acionária direta na companhia, embora tenha admitido interesses indiretos em negócios ligados à OpenAI.

A defesa da OpenAI retratou Musk como um concorrente insatisfeito após não conseguir obter controle sobre a organização nos primeiros anos da startup. Os advogados afirmaram que, após deixar a empresa, o empresário criou uma rival direta no setor de inteligência artificial, a xAI.

Altman e Brockman também relataram preocupações sobre o estilo de liderança de Musk, descrito como “tudo ou nada”. Segundo os executivos, o empresário demonstrava comportamento volátil diante de divergências internas.

“Olha, ele entende de foguetes, entende de carros elétricos. Mas ele não entendia de IA. E acredito que ainda não entende”, afirmou Brockman durante o julgamento.

Outras testemunhas apresentadas pela OpenAI sustentaram que a missão original da organização permanece preservada. Segundo os depoimentos, a companhia mantém uma estrutura híbrida, em que o braço operacional, OpenAI Group, atua como uma Public Benefit Corporation (PBC), modelo empresarial com fins lucrativos, mas com obrigação legal de gerar impacto social positivo.

Os advogados de Musk afirmaram que irão recorrer da decisão judicial.