A série Sessão de Terapia estreia sua 6ª temporada na próxima sexta-feira 22 no Globoplay apostando em conflitos cada vez mais conectados às angústias do mundo atual. Com 35 episódios inéditos, a produção volta a acompanhar o psicanalista Caio Barone, interpretado por Selton Mello, em sessões que exploram questões como excesso de trabalho, necessidade de aprovação, luto, pressão da maternidade e o envelhecimento.
Entre as novidades do elenco está Bella Camero, que interpreta Ingrid, uma jovem de 23 anos consumida pela compulsão pelo trabalho e pela necessidade constante de reconhecimento. Segundo a atriz, a intensidade da personagem teve reflexos até mesmo em sua rotina fora do set.

“Eu chegava em casa aceleradaça. Não que achasse que eu fosse a Ingrid, mas colocava meu corpo o tempo todo no estímulo, tinha de falar rápido, pensava rápido. Só de lembrar dela agora já estou aceleradíssima de novo”, contou.
Ela relembra que, durante as gravações, Selton Mello a incentivava a sobrepor as falas do terapeuta, recurso que acabou sendo reproduzido involuntariamente em sua vida pessoal.
“Quando eu percebia, fazia isso na vida real também.”
Além de Bella, a nova temporada incorpora Olivia Torres, Alice Carvalho, Paulo Gorgulho e Grace Passô. Selton Mello, além de retomar o papel principal, também assina a direção da série.
O ator afirma que mantém o entusiasmo com o projeto e que gostaria de continuar no papel por muitos anos.
“Já falei para o Globoplay e repito: por mim, vamos igual à ‘Grey’s Anatomy’, com mais de 20 temporadas. Posso ficar velho fazendo”, disse, em referência à longeva série americana Grey’s Anatomy.
Um dos principais eixos da nova temporada é a introdução da terapeuta Rosa Gabriel, personagem de Grace Passô. Na condição de supervisora, ela acompanha o trabalho de Caio Barone e o confronta com observações diretas sobre seus pacientes e sobre questões pessoais, como o luto pela morte da filha.
“Ela não ‘afofa’. A supervisora manda umas diretas e ele não gosta. O fã da série vai pirar”, afirmou Selton. Sobre a colega de elenco, acrescentou: “A Grace é atriz, dramaturga, múltipla. Tem grandeza em cena, é muito poder.”
Para Grace Passô, integrar o elenco de uma produção iniciada em 2012, ainda no GNT, representa a oportunidade de atuar em uma obra centrada essencialmente na interpretação.
“É difícil você ser atriz e não querer estar em uma ‘Sessão de Terapia’. É uma série que tem uma centralidade na atuação. São duas pessoas conversando que vão se revelando ao longo desta troca”, observou.
O produtor Roberto d’Ávila destaca que um dos desafios da série é representar processos terapêuticos de forma convincente, respeitando o ritmo de transformação dos personagens.
“Quem assiste acredita naquele processo terapêutico, sem forçar a barra. É o que seriam processos de um ou dois anos na vida real.”
A roteirista Jacqueline Vargas explica que os conflitos retratados surgem de observações do cotidiano.
“Vivemos em um país que quer saber do drama pessoal. E estamos em um momento em que as pessoas estão muito carentes de conversa, de onde resolver seus problemas”, afirmou.
Segundo ela, a série se contrapõe à lógica de consumo rápido e disperso de conteúdo.
“O seriado dá tempo para que o espectador reflita sobre a cena junto ao personagem. Esse tempo de pensar faz falta.”
Selton Mello avalia que o tema da saúde mental torna a série ainda mais relevante no cenário atual.
“A terapia é fundamental na minha vida. Já vivi depressão. Hoje temos a ginasta Rebeca Andrade ganhando suas medalhas e agradecendo à terapeuta”, disse, em referência à atleta. “A série vai ficando cada vez mais relevante.”
O ator vive um momento de intensa atividade profissional. Após a repercussão internacional de Ainda Estou Aqui, Selton participou do longa La Perra, da diretora chilena Dominga Sotomayor, exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Ele também integra o elenco de Zero K, adaptação do romance de Don DeLillo dirigida por Michael Almereyda.
Ao apostar em temas que dialogam diretamente com os dilemas contemporâneos, a nova temporada de Sessão de Terapia reforça a proposta da série de transformar o consultório fictício de Caio Barone em um espaço de reflexão sobre os conflitos da vida real.