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Conflito

Irã ameaça restringir passagem de navios dos EUA e aliados no estreito de Ormuz

Governo iraniano prepara novo protocolo de navegação e mantém bloqueio parcial da principal rota global de petróleo
Por O Correio de Hoje
19/05/2026 | 14:09

O governo do Irã afirmou que prepara um novo protocolo para regulamentar a passagem de embarcações pelo estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo, mas indicou que navios ligados aos Estados Unidos, a Israel e países considerados apoiadores da guerra contra Teerã poderão ser impedidos de trafegar pela região.

A declaração foi feita por Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, em entrevista concedida em Teerã. Segundo ele, o Irã segue bloqueando parcialmente o estreito desde o início dos ataques americanos e israelenses contra o país, em 28 de fevereiro.

mulher irã
Teerã prepara protocolo para navegação no estreito e barrar navios dos EUA - Foto: reprodução / internet

O estreito de Ormuz concentra aproximadamente 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito transportado por via marítima, tornando-se estratégico para o abastecimento energético internacional.

De acordo com Baqaei, o governo iraniano trabalha em um mecanismo para permitir a navegação segura sem comprometer interesses de soberania e segurança nacional.

“Como Estado costeiro ao lado de Omã, nós garantimos que a passagem segura de navios e embarcações pelo estreito de Ormuz seja feita sem prejudicar a soberania e a segurança nacional”, afirmou.

Após a entrevista, autoridades iranianas anunciaram a criação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão regulador voltado ao gerenciamento do tráfego marítimo na região.

O porta-voz afirmou ainda que embarcações ligadas a países considerados “agressores” poderão ser barradas no estreito.

“Os EUA, Israel e seus apoiadores, aqueles que foram cúmplices no crime de agressão, não podem ter permissão para passar pelo estreito por violar a soberania, o interesse nacional e a segurança da República Islâmica do Irã”, declarou.

Segundo Baqaei, Teerã mantém negociações diplomáticas mediadas pelo Paquistão com o objetivo de discutir termos relacionados ao cessar-fogo e às sanções econômicas impostas ao país. O Irã confirmou ter enviado resposta às últimas demandas americanas.

Entre os pontos defendidos por Teerã estão a liberação de ativos financeiros bloqueados no exterior, o reconhecimento do direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e o fim das sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos.

“Sob o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o Irã tem o direito inalienável de usar energia nuclear pacífica. As sanções unilaterais dos EUA devem ser removidas”, afirmou Baqaei.

O diplomata também rejeitou a possibilidade de transferência do urânio enriquecido iraniano para terceiros países, uma das exigências americanas nas negociações internacionais.

“Por que o Irã deveria transferir seus materiais para outro país?”, questionou.

Ao comentar a possibilidade de retomada dos ataques militares, Baqaei afirmou que o governo iraniano considera frágil o atual cessar-fogo firmado em abril e mantém as Forças Armadas em estado de prontidão.

“Temos de estar preparados para todos os cenários”, disse.

Segundo o porta-voz, o Irã responderá “com toda a força” caso ocorram novos ataques por parte dos EUA e de Israel.

O governo iraniano também reconheceu os impactos econômicos provocados pela guerra e pelas sanções, incluindo inflação elevada e desvalorização da moeda local, mas afirmou que o país continuará resistindo às pressões internacionais.

“Os iranianos aprenderam a resistir, a se tornar resilientes”, declarou Baqaei.