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Inflação

Focus eleva inflação e juros

Mercado projeta IPCA de 4,92% e Selic de 13,25% no fim de 2026, enquanto IBC-Br registra retração de 0,7% em março
19/05/2026 | 11:28

O mercado financeiro elevou pela décima semana consecutiva a projeção para a inflação deste ano, em meio ao aumento das incertezas externas e à desaceleração da atividade econômica doméstica. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,91% para 4,92% em 2026.

No fim de fevereiro, antes da escalada das tensões no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a projeção era de 3,91%. A expectativa para a taxa básica de juros também foi revisada. A previsão para a Selic no fim do ano subiu de 13% para 13,25%. Antes do agravamento do conflito geopolítico, a estimativa era de 12%.

Sede dp BC

Os dados foram divulgados no mesmo dia em que o Banco Central informou queda de 0,7% do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) em março, na comparação com fevereiro. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado, que projetava retração de 0,4%. Na comparação com março de 2025, porém, o indicador avançou 3,1%.

O desempenho negativo foi disseminado entre os setores da economia. A agropecuária e a indústria recuaram 0,2% no período, enquanto o setor de serviços registrou queda de 0,8%, o maior impacto sobre o índice.

Em relatório ao mercado, analistas do Goldman Sachs afirmaram que, apesar da perda de força da atividade econômica no fim do primeiro trimestre, o nível de atividade deverá continuar sustentado pelo mercado de trabalho aquecido, pelos ganhos de renda real e por estímulos fiscais e de crédito previstos antes das eleições do quarto trimestre.

Para o economista-chefe do Banco BMG, Flavio Serrano, a economia pode apresentar acomodação no início do segundo trimestre, mas a inflação seguirá pressionada acima do teto da meta.

“O que vimos foram dois meses fortes, e a atividade econômica perdeu força agora no final do trimestre. Vamos ver, mas acho que a atividade acomoda um pouco no começo do segundo trimestre. Acreditamos que o IPCA fechará acima de 4,5%, projetamos 5%, para ser preciso”, afirmou Serrano.

As projeções de inflação de longo prazo também continuam em alta. No Focus, a estimativa para o IPCA de 2028 passou de 3,64% para 3,65%, movimento interpretado por analistas como sinal de desancoragem das expectativas.

Na ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central reiterou a necessidade de cautela diante do cenário internacional e das incertezas associadas ao conflito no Oriente Médio.

A economista-chefe da Lifetime Investimentos, Marcela Kawauti, afirmou que novas revisões para a Selic ainda podem ocorrer nos próximos meses.

“Ao que parece, a estimativa de inflação vai se estabilizar um pouco abaixo dos 4,95% para o ano. A revisão para o IPCA de 2028 mostra uma desancoragem de longo prazo, o que é muito ruim. Já quanto aos juros, acho que essa não vai ser a última revisão da Selic, provavelmente vão ter outras rodadas, não só para este ano como para o próximo”, disse Kawauti ao blog da jornalista Míriam Leitão.