O presidente estadual do PV, Rivaldo Fernandes, criticou o nível da pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte e afirmou que a disputa tem deixado em segundo plano os problemas reais do Estado. Em entrevista à 97 FM nesta terça-feira 12, ele disse que o debate eleitoral está excessivamente personalista, marcado por ataques, cenas de marketing e pouca discussão sobre projetos de desenvolvimento.
Para Rivaldo, a pré-campanha tem se afastado dos temas que deveriam orientar a escolha do próximo governador. “É lamentável que as eleições se tornaram isso”, afirmou, ao comentar o tom das movimentações políticas até agora. A crítica foi feita após o apresentador Salatiel de Souza avaliar que a disputa está “fulanizada”, com candidatos mais preocupados em atacar adversários e produzir cenas de apelo popular do que em apresentar soluções.

O dirigente do PV disse que o problema não se limita ao Rio Grande do Norte. Segundo ele, o País inteiro sofre com a falta de debate sobre projetos de futuro. Rivaldo também criticou a polarização entre esquerda e direita, que, na avaliação dele, impede a discussão sobre temas mais profundos. “A polarização é muito ruim para o País. A gente parou de discutir o Brasil. Parou de discutir projetos. Parou de discutir a crise”, afirmou.
No caso potiguar, Rivaldo defendeu que a campanha deveria tratar de temas como industrialização, meio ambiente, turismo no interior, universidades, cadeias produtivas e geração de empregos de melhor qualidade. Ele citou a fruticultura irrigada como uma das principais forças econômicas do Estado, mas afirmou que o RN ainda vende produtos primários sem avançar na agregação de valor.
“Por que eu exporto manga, caju e não faço suco? Por que eu não faço a embalagem para embalar novos produtos industriais?”, questionou. Segundo ele, os salários industriais tendem a ser melhores, razão pela qual o Estado deveria discutir formas de transformar suas cadeias produtivas em produção industrial.
Rivaldo também usou o exemplo do ferro de Jucurutu para sustentar a crítica. Segundo ele, o Estado exporta matéria-prima e importa produtos acabados, repetindo um modelo que limita a geração de riqueza local. “A gente exporta o ferro e importa o carro. Quer dizer, a gente dá a matéria-prima e paga caríssimo pelo produto final”, disse.
A crítica se estendeu ao turismo. O presidente do PV afirmou que o Rio Grande do Norte permanece concentrado no modelo de sol e mar, com forte dependência do litoral, enquanto o interior ainda é pouco explorado como vetor de desenvolvimento. Para ele, o Estado precisa descentralizar sua economia e criar alternativas para além da capital e das cidades de maior peso econômico. Rivaldo citou Natal, Mossoró, São Gonçalo do Amarante e Parnamirim como poucos municípios com Produto Interno Bruto mais relevante.
“Temos que avançar no turismo do interior. O desenvolvimento teria que partir do interior. Porque a gente está igual a caranguejo, só no litoral”, afirmou.
Outro ponto levantado foi a pauta ambiental. Rivaldo disse que a Caatinga potiguar está quase 50% devastada e defendeu que o bioma seja tratado não apenas como área de preservação, mas também como fonte de pesquisa, produção de alimentos, medicamentos e inovação. Para isso, afirmou, é necessário aproximar universidades, empresas e cadeias produtivas.
O dirigente também criticou discussões que apontam para redução do papel das universidades públicas. Segundo ele, o caminho deveria ser oposto. “Na minha opinião, nós precisamos de mais universidade. Mais universidade perto das empresas, que possa estudar essas cadeias e bolar novos produtos”, declarou.
Rivaldo afirmou que o PV vem discutindo essa agenda há mais de um ano. Segundo ele, o partido realizou uma série de seminários, ouviu empresários na Fiern, visitou o Centro de Tecnologia do Gás, conheceu propostas ligadas ao setor produtivo e também discutiu projetos como o Porto Ilha. A ideia, segundo ele, é apresentar uma proposta de desenvolvimento que una economia, meio ambiente, ciência e interiorização do crescimento.
A crítica do presidente do PV ocorre em um momento de intensificação da pré-campanha ao Governo. Cadu Xavier (PT), Álvaro Dias (PL) e Allyson Bezerra (União) têm ampliado agendas, recebido apoios municipais e disputado espaço nas redes sociais. Para Rivaldo, porém, a movimentação ainda não tem sido acompanhada de um debate suficiente sobre o futuro do Estado.
Na avaliação dele, o eleitor precisa ser chamado a discutir mais do que nomes, alianças e ataques. “O povo tem carência de discutir um projeto”, afirmou.