BUSCAR
BUSCAR
Informe do Correio

Moraes amplia patrimônio com compra de imóveis

Confira os destaques da Coluna Informe do Correio, publicada na edição de O Correio de Hoje desta segunda-feira, 6 de abril de 2026
Por O Correio de Hoje
06/04/2026 | 14:58

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, ampliaram o patrimônio imobiliário desde a chegada dele à Corte, em 2017. Hoje, o casal possui 17 imóveis avaliados em R$ 31,5 milhões. Nos últimos cinco anos, foram desembolsados R$ 23,4 milhões na aquisição de bens em Brasília e São Paulo, todos pagos à vista, conforme registros em cartório. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Os dados se baseiam em contratos de compra obtidos em cartórios e consideram valores nominais de aquisição. Em 2017, quando Moraes foi indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer, o patrimônio imobiliário declarado era de R$ 8,6 milhões em 12 imóveis. Desde então, houve crescimento de 266%.

Informe do Correio

A maior parte das aquisições recentes ocorreu a partir de 2021, período em que o ministro já integrava o STF. O valor investido nesses anos representa mais de 67% do total aplicado pelo casal no setor imobiliário ao longo de quase três décadas. Ao todo, foram identificadas compras de 27 imóveis nos últimos 29 anos, somando R$ 34,8 milhões, parte dos quais já foi vendida.

Entre os bens, está uma casa de 776 metros quadrados no Lago Sul, em Brasília, adquirida por R$ 12 milhões. O casal também comprou dois apartamentos em Campos do Jordão que, juntos, somam 727 metros quadrados e custaram R$ 8 milhões. Em São Paulo, possuem imóveis em bairros valorizados, incluindo unidades no Jardim América adquiridas por R$ 3 milhões cada.

Parte das operações foi realizada por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa usada pela família para administração patrimonial e que tem como sócios Viviane e os filhos do casal. O escritório de advocacia de Viviane também ampliou atuação no período, com crescimento no número de processos em tribunais superiores.

Moraes e Viviane foram procurados, mas não se manifestaram.

Caso Master pressiona imagem do STF

O ministro Alexandre de Moraes enfrenta um dilema delicado no episódio envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Ou reconhece gastos de R$ 1 milhão com voos em jatinhos, ou terá de lidar com a interpretação de proximidade com um personagem central de um escândalo financeiro, situação considerada ainda mais sensível para um integrante do Supremo Tribunal Federal. A análise é da jornalista Eliane Cantanhêde.

Segundo a avaliação, Moraes atua como se o cenário não tivesse se agravado, mesmo com a expectativa de delações que podem aprofundar o caso. A tendência, no entanto, é que eventuais colaboradores confirmem e ampliem informações já conhecidas por investigações e pela opinião pública, uma vez que acordos desse tipo exigem entrega consistente de provas para produzir benefícios.

A entrada do nome de Moraes no caso deslocou o foco que antes recaía sobre Dias Toffoli, alterando o centro das atenções dentro do Supremo. Ainda assim, a colunista observa sinais de subestimação dos riscos institucionais envolvidos, sobretudo no impacto sobre a credibilidade da Corte.

Nos bastidores, o ambiente é descrito como desconfortável, com resistência interna em reconhecer a dimensão do problema. Parte das críticas se volta contra a Polícia Federal e a imprensa, embora a análise destaque que a divulgação de informações documentadas não pode ser tratada como causa da crise.

O caso é visto como sintoma de fragilidade institucional mais ampla, em um contexto de desgaste que também atinge outros Poderes. Para a colunista, a saída passa por responsabilizações individuais, preservando a instituição. A lógica seria isolar condutas para evitar danos maiores ao conjunto do Supremo.

Voos levantam suspeitas no STF

Registros de aeroportos indicam que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, utilizou em 4 de julho de 2025 uma aeronave da empresa Prime Aviation, então associada ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os dados mostram entrada do ministro no terminal executivo de Brasília às 10h e decolagem, dez minutos depois, rumo a Marília (SP), sua cidade natal. A informação foi revelada pelo Estadão.

No mesmo dia, houve deslocamento de seguranças para o resort Tayayá, no Paraná, localizado a cerca de 150 km de Marília, indicando possível destino final da viagem. Documentos apontam ainda outros acessos de Toffoli ao terminal ao longo de 2025. O cruzamento com dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo sugere uso recorrente da mesma aeronave em seis ocasiões, sendo cinco delas ligadas a empresários.

A Prime Aviation alegou confidencialidade contratual e proteção de dados para não divulgar passageiros. Já a Inframerica afirmou que os registros são protegidos por lei e só podem ser compartilhados mediante ordem oficial.

O caso se conecta a investigações envolvendo fundos de investimento ligados ao resort e ao entorno de Vorcaro, incluindo a participação do pastor Fabiano Zettel. Após menções a Toffoli em apurações da Polícia Federal, o ministro deixou a relatoria do caso Master no STF, que passou ao ministro André Mendonça.

Também vieram à tona voos do ministro Alexandre de Moraes em aeronaves da mesma empresa, o que foi negado por seu gabinete, que classificou as informações como ilações.