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Informe do Correio

Lealdade pode virar ministério para Fátima

Confira os destaques da Coluna Informe do Correio, publicada na edição de O Correio de Hoje desta terça-feira, 2 de abril de 2026
Por O Correio de Hoje
02/04/2026 | 15:48

A decisão da governadora Fátima Bezerra (PT) de permanecer no cargo e abrir mão de disputar o Senado segue um padrão já observado dentro do núcleo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que gestos de lealdade tendem a ser recompensados com espaço no primeiro escalão. O movimento remete ao caso de Rui Costa, que em 2022 desistiu de concorrer ao Senado para garantir a eleição de Jerônimo Rodrigues na Bahia e acabou alçado à Casa Civil, posição central no governo.

A leitura em Brasília é de que Fátima se insere nessa mesma lógica. Ao priorizar o projeto político do grupo no Rio Grande do Norte, ela reforça capital político junto ao Planalto e passa a figurar como opção viável para um ministério em eventual segundo mandato de Lula.

Informe do Correio

Outros episódios recentes seguem o mesmo roteiro. Márcio França abriu mão da disputa pelo governo de São Paulo para não dividir espaço com Fernando Haddad e pode ser deslocado para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Já Gleisi Hoffmann deixa a articulação política para disputar o Senado, enquanto José Múcio permanece na Defesa após pedido direto do presidente.

ENGORDA – Deputada federal Natália Bonavides (PT) puxou a obra de Ponta Negra para o centro da disputa estadual ao sustentar que a falta de drenagem, apontada em relatório do Ministério Público Federal, já comprometeu a engorda. Ao associar a intervenção de mais de R$ 100 milhões a cálculo eleitoral, transforma um problema urbano em passivo político graúdo.

DESGOVERNO – Ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos) decidiu condensar numa só crítica os principais flancos do governo estadual e, de quebra, amarrar tudo ao discurso de mudança. Falou em pior IDEB do Brasil, saúde precária, facções impondo medo e ônibus incendiados em Natal para sustentar a tese de que o Rio Grande do Norte vive “o pior governo da história”.

RECONSTRUÇÃO – Governadora Fátima Bezerra (PT) reage ao cerco com o repertório que considera mais sólido, obra e nomeação. Anuncia mais de R$ 1 bilhão em estradas, com trechos em Macau e acesso a Camapum, e soma 178 novos policiais civis. A aposta é simples, responder à crítica com entrega e ocupar o território antes que a oposição ocupe o imaginário.

PICANHA – Senador Rogério Marinho (PL) voltou ao bolso do eleitor para resumir o governo Lula em inflação, frustração e mercado mais caro.

DESPEDIDA – Secretário estadual Cadu Xavier (PT) encerra a passagem pela Fazenda com fala de balanço e cheiro de largada. Ao dizer que viveu a “verdadeira reconstrução” do Estado e sugerir que “isso é só o começo”, deixa menos uma despedida burocrática e mais um aceno de continuidade política.

CONTINUIDADE – Deputado estadual Francisco do PT (PT) tratou a saída de Cadu Xavier do governo como transição sem ruptura e, ao fazer isso, entregou mais do que um gesto de lealdade. Ao dizer que o ex-secretário ajudou a tirar o RN do caos e deu rumo à reconstrução, reforçou a narrativa oficial, blindou o legado da equipe econômica e inseriu Cadu de vez no vocabulário sucessório do grupo. Não foi apenas agradecimento. Foi também chancela, dessas que o governismo distribui quando pretende manter o jogo rodando com outro nome na mesma trilha.

CHUVA – Deputada estadual Isolda Dantas (PT) voltou à carga contra a engorda de Ponta Negra e escolheu o ponto mais visível para pressionar a Prefeitura de Natal, o alagamento recorrente. Ao lembrar que a obra custou R$ 101 milhões e segue produzindo o mesmo cenário a cada chuva, reforça a tese de que faltou solução onde mais se prometeu solução.

RANKING – Deputado estadual Gustavo Carvalho (PSDB) aproveitou o 1º de abril para organizar a crítica em formato de inventário e apresentar a gestão estadual como uma coleção de promessas descumpridas.

RODOVIA – O movimento do secretário estadual Cadu Xavier (PT) no Seridó não ficou apenas na foto de despedida. Ao percorrer a RN-084 ao lado do prefeito de Timbaúba dos Batistas e citar R$ 8 milhões investidos em 8 quilômetros, o auxiliar ajudou a converter obra em vitrine de governo e, ao mesmo tempo, em ativo pessoal. A estrada ganhou até nome, “Rodovia dos Bordados”, o que ajuda na memória política. Em ano de rearrumação eleitoral, asfalto com identidade costuma render mais do que planilha sem plateia.

EMENDA – Deputada federal Carla Dickson (União Brasil) amarrou sua atuação à Casa da Mulher Brasileira em Mossoró ao lembrar o repasse de R$ 1,1 milhão. A mensagem é objetiva, mostrar autoria num equipamento de acolhimento a vítimas de violência e transformar política pública em capital político sem muito rodeio.

CANTEIRO – Deputado estadual Ubaldo Fernandes (PSDB) preferiu o caminho clássico da boa política municipal, obra que aparece. Com mais de R$ 500 mil em investimentos para a Zona Leste, incluindo pavimentação com piso intertravado, revitalização da Rua Mestre Lucarino, novas praças e letreiro em Santos Reis, tenta associar mandato a transformação concreta. O detalhe que interessa está no financiamento, mais de 80% dos recursos, segundo ele, vieram dos mandatos de Ubaldo e Eribaldo Medeiros. Numa cidade em que anúncio demais costuma cansar, cimento e pedra ainda falam uma língua que o eleitor entende.