As pesquisas mais recentes de intenção de voto acenderam um sinal de alerta no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao revelar uma dificuldade crescente de conexão com o eleitor mais jovem. Levantamento Atlas Bloomberg indicou que 73% dos jovens entre 16 e 24 anos desaprovam o presidente, um salto de 14 pontos percentuais em relação ao mês anterior. O dado expõe um distanciamento relevante justamente em uma faixa etária que tende a influenciar tendências de médio prazo.
No mesmo recorte, chama atenção o avanço de Renan Santos, ligado ao Movimento Brasil Livre e candidato pelo partido Missão. Ainda pouco conhecido no eleitorado geral, ele tem ganhado espaço entre jovens. Segundo a pesquisa, passou de 15,9% para 24,7% das intenções de voto nesse grupo em um mês. Em entrevista, afirmou que busca oferecer respostas “claras e diretas” e associou esse comportamento ao perfil da geração Z, que tende a preferir comunicação mais objetiva.

A movimentação ocorre em paralelo a um cenário em que candidaturas de direita apresentam maior aderência entre os mais jovens. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37% de avaliação nesse público, contra 28,6% de Lula. Ao mesmo tempo, a presença digital se mostra um fator relevante nesse deslocamento, com maior engajamento de nomes que exploram linguagem simples e conteúdos de forte circulação nas redes.
Novo outsider
Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal O Estado de S.Paulo, Renan Santos, fundador do MBL, apresenta-se como um outsider que desafia o espaço do bolsonarismo ao adotar discurso mais radical e direto, inspirado em Javier Milei. Afirma não ter estratégia tradicional de campanha, apostando na espontaneidade e na comunicação digital para crescer, especialmente entre jovens. Defende uma linguagem simples, sem “meandros inúteis” da política tradicional, buscando respostas rápidas para problemas concretos. Critica tanto a esquerda quanto setores da direita, posicionando-se como alternativa liberal mais dura. Propõe medidas como desindexação de aposentadorias, mudanças na legislação trabalhista e redução do papel do Estado. Também aposta em pautas econômicas liberais e na crítica à classe política como forma de mobilizar apoio. Reconhece que seu crescimento vem da rejeição ao sistema político tradicional e da insatisfação com figuras estabelecidas, afirmando que seu objetivo é ocupar um espaço ainda não preenchido de forma consistente no debate público nacional.
Álvaro como “forasteiro”
A reportagem “Por palanques fortes, Flávio filia ‘forasteiros’ e irrita aliados”, publicada por O Globo neste domingo, revela a estratégia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de fortalecer candidaturas estaduais com nomes externos às bases partidárias. No Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) surge como exemplo desse movimento. Para viabilizar sua candidatura ao governo, Álvaro foi obrigado a deixar o Republicanos, partido ao qual era vinculado, e se filiar ao PL dentro dessa articulação nacional. O custo político foi alto: ao sair, acabou perdendo o controle do Republicanos no estado, que migrou para o grupo adversário liderado pelo pré-candidato ao governo Allyson Bezerra (União Brasil). A leitura da reportagem sugere que, embora fortaleça palanques, essa estratégia também reorganiza forças locais, muitas vezes enfraquecendo quem entra como “forasteiro”.
Apoio a Caiado
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), declarou apoio à candidatura de Ronaldo Caiado (União Brasil) à Presidência da República, oficializada pelo PSD em evento realizado em São Paulo. Favorito dentro da legenda, Ratinho havia anunciado na semana anterior que não disputaria o cargo, abrindo caminho para a consolidação do nome do governador de Goiás. Ao comentar a decisão, classificou o processo interno como um “exemplo de compromisso com a democracia”.
Ratinho destacou o perfil administrativo de Caiado e afirmou que o partido optou por “um homem aprovado como gestor”, com reconhecimento nacional, sobretudo nas áreas de educação e segurança. Também ressaltou o “entusiasmo em servir” como fator de mobilização para um projeto que dialogue com crescimento e iniciativa privada. Mesmo com o apoio, fez menção ao governador Eduardo Leite (PSDB), elogiando sua “grandeza e espírito público” e destacando sua atuação no reequilíbrio fiscal do Rio Grande do Sul.