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Filiação

Após Moro, PL-PR tem fuga de prefeitos

Saída de prefeitos ocorre após decisão do partido de lançar Moro ao governo do Paraná
Por O Correio de Hoje
27/03/2026 | 16:18

A filiação do senador Sergio Moro ao PL provocou uma saída em massa de prefeitos da legenda no Paraná. Dos 53 gestores municipais que integravam o partido no estado, 48 anunciaram desligamento nesta quinta-feira, em movimento liderado pelo deputado federal Fernando Giacobo, que também deixou a sigla.

Ex-presidente do diretório estadual, Giacobo rompeu com o partido após a decisão da direção nacional de lançar Moro como candidato ao governo. O deputado era adversário do senador no estado e chegou a colocar seu nome como opção para a disputa, mas acabou preterido.

Giacobo com prefeitos
Deputado Fernando Giacobo com prefeitos paranaenses nesta semana - Foto: Assessoria

Durante coletiva, ele afirmou que a decisão foi motivada pelo descumprimento de um acordo interno que previa alinhamento com o grupo político do governador Ratinho Júnior. “E sempre disse, em alto e bom som: nós do PL vamos acompanhar, para governador, o candidato escolhido pelo Ratinho, quer seja quem for. Não fui eu que quebrei acordo nenhum”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Não fui eu que filiei o Moro para ser candidato a governador, que não é o candidato do Ratinho. Então, minha gente, a minha decisão é baseada na coerência. Eu estou triste, sim, por deixar. Não tenho nada contra o PL, só a favor de um partido de direita que defende aquilo que eu sempre defendi. Mas é momento de nós termos coragem.”

Antes da definição pelo nome de Moro, Giacobo articulava sua própria candidatura ao governo estadual e buscava liderar um palanque ligado ao senador Flávio Bolsonaro. No início do mês, chegou a viabilizar a inclusão de seu nome em uma pesquisa de intenção de voto encomendada pelo partido.

A divulgação do levantamento, no entanto, foi barrada por decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, que considerou que o conteúdo poderia “influenciar de maneira irreversível a opinião pública e comprometer o equilíbrio do pleito”. O questionário citava Giacobo com apoio de Flávio Bolsonaro, mas não indicava padrinhos políticos de outros candidatos, com exceção do deputado estadual Requião Filho, vinculado ao PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dentro da cúpula nacional do PL, a eventual candidatura de Giacobo já enfrentava resistência. Anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro indicavam que o nome do deputado havia sido vetado pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto. Além disso, Giacobo já havia atuado contra Moro na Justiça Eleitoral, ao ingressar com ação para cassar o mandato do senador após as eleições de 2022.

Na ocasião, o partido alegou que Moro teria se beneficiado de exposição indevida ao disputar inicialmente a Presidência da República, o que lhe daria vantagem na corrida ao Senado. As acusações foram rejeitadas tanto pelo TRE-PR quanto pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Fora do PL, Giacobo indicou a interlocutores que pretende se filiar a outra legenda de direita alinhada ao grupo de Ratinho Júnior.

A escolha do PL por Moro também interrompeu negociações para uma aliança com o grupo do governador, que incluía a indicação do deputado federal Filipe Barros ao Senado em uma chapa liderada por um nome apoiado pelo Executivo estadual. A decisão ocorreu após Ratinho sinalizar, no início do mês, que pretendia disputar a Presidência da República.

Dias depois, porém, o governador recuou e anunciou que permanecerá no cargo até o fim do mandato. A estratégia agora é fortalecer um sucessor no estado, ainda não definido. Entre os nomes cogitados estão o secretário das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, ambos do PSD.