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Política

Kelps diz que vai frear críticas a deputados da federação para não prejudicar Allyson

Pré-candidato a deputado federal afirma que não abrirá mão das críticas à representação potiguar em Brasília, mas admite moderar o discurso para evitar desgaste ao projeto majoritário
Redação
25/06/2026 | 05:39

O pré-candidato a deputado federal Kelps Lima (União) afirmou nesta quarta-feira 24 que vai reduzir o tom das críticas dirigidas a integrantes da federação União Progressista para evitar qualquer prejuízo à pré-candidatura de Allyson Bezerra (União) ao Governo do Estado. Em entrevista ao programa Meio-Dia TCM, da rádio 95 FM de Mossoró, o ex-deputado estadual declarou que não abrirá mão das avaliações que faz sobre a representação potiguar na Câmara dos Deputados, mas reconheceu que a disputa interna não pode atingir o projeto majoritário liderado pelo ex-prefeito de Mossoró.

“Não há nenhuma chance de eu fazer um movimento para prejudicar Allyson”, afirmou. Em seguida, foi ainda mais enfático ao tratar da relação com o aliado: “Allyson é meu amigo, é meu irmão. Eu acredito no projeto dele. A candidatura de Allyson é muito mais importante do que a minha. Muito”. Questionado se as críticas poderiam ser revistas diante do impacto político sobre a campanha estadual, respondeu: “Se precisar ajustar o tom, faço na hora. Não tem essa história”.

Ex-deputado estadual Kelps Lima, pré-candidato a deputado federal pelo União Federal, vem criticando Benes, João e Robinson - Foto: José Aldenir
Ex-deputado estadual Kelps Lima, pré-candidato a deputado federal pelo União Federal, vem criticando Benes, João e Robinson - Foto: José Aldenir

“Eu vou parar o tom por causa de Allyson”, complementou.

A declaração ocorre após dias de tensão dentro da federação formada por União Brasil e PP. Nas últimas semanas, Kelps passou a fazer críticas públicas aos deputados federais Robinson Faria (PP), João Maia (PP) e Benes Leocádio (União), todos pré-candidatos à reeleição e integrantes da mesma chapa proporcional. Em uma das declarações mais contundentes, chegou a classificar Robinson como o “pior governador dos últimos 40 anos” do Rio Grande do Norte.

As manifestações provocaram reação entre lideranças da federação. Na segunda-feira 22, o assunto foi debatido em uma reunião que contou com a presença de Allyson Bezerra, do ex-senador José Agripino Maia, presidente estadual do União Brasil, e dos deputados federais Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio. Conforme relatos obtidos nos bastidores, o encontro teve como principal objetivo conter a escalada das hostilidades e impedir que a disputa por vagas na Câmara dos Deputados contaminasse a construção da candidatura de Allyson ao Governo do Estado.

A avaliação predominante entre dirigentes da federação é que Robinson, João Maia e Benes não são adversários externos, mas integrantes da mesma aliança política que sustenta o projeto estadual do ex-prefeito de Mossoró. Por isso, cresceu a preocupação de que os ataques internos acabassem fornecendo munição para adversários e dificultando a formação de um palanque unificado em 2026.

Na entrevista desta quarta-feira, Kelps procurou minimizar a dimensão da crise e afirmou que divergências internas são comuns em partidos e federações. “Essas divergências são normais. Elas acontecem”, declarou. Ele citou como exemplo o recente embate envolvendo a deputada federal Carla Dickson e a vereadora Nina Souza dentro do PL. Segundo o ex-deputado, o episódio teve acusações mais graves — Carla sugeriu que Nina estaria usando a estrutura da Prefeitura em prol de sua candidatura — e recebeu menos repercussão pública do que as discussões atualmente registradas na União Progressista.

“Essas divergências são normais. Elas acontecem. E eu não jogo baixo. Eu jogo e faço política. Meu movimento é público”, enfatizou, relativizando sua postura das últimas semanas.

Críticas à bancada

Ao mesmo tempo, Kelps voltou a defender o conteúdo das críticas que vem apresentando. Segundo ele, o Rio Grande do Norte sofre atualmente com a falta de protagonismo político na Câmara dos Deputados. O pré-candidato afirmou que o Estado perdeu capacidade de influência em Brasília e argumentou que isso tem reflexos diretos em áreas como saúde, segurança pública, infraestrutura e geração de empregos.

“O Rio Grande do Norte precisa de uma representação federal melhor. As pessoas que hoje não têm acesso a exame, cirurgia, convivem com a violência, com a falta de estrada e de emprego dependem disso”, afirmou. Para sustentar a tese, citou investimentos federais obtidos por outros estados e comparou o cenário potiguar ao do Ceará. “Só para a instalação de uma filial do ITA, foi investido R$ 1,5 bilhão”, observou.

Kelps também contestou a ideia de que o peso político de um estado esteja ligado apenas ao número de parlamentares. Segundo ele, a influência depende da capacidade de articulação e da relevância dos representantes. “Não é a quantidade. É a qualidade. É o peso”, declarou. Na sequência, citou rankings nacionais de influência parlamentar para sustentar o argumento de que o Rio Grande do Norte atravessa um momento de baixa representatividade na Câmara Federal.

“Pela primeira vez, numa legislatura, o Rio Grande do Norte não tem nenhum deputado federal entre os 100 mais influentes da Câmara. Não sou eu que estou dizendo. É um ranking nacional”, afirmou. O ex-deputado acrescentou que influência política está relacionada ao domínio do processo legislativo, à capacidade de formular propostas, conduzir debates e construir consensos dentro do Parlamento. “Para você ter influência, tem que ter opinião, e sua opinião tem que pesar”, resumiu.

Para sustentar o argumento, Kelps afirmou que, anteriormente, a bancada de deputados federais do Rio Grande do Norte teve maior protagonismo, citando os mandatos dos ex-deputados Henrique Eduardo Alves e Rogério Marinho, que hoje é senador.

“Rogério foi um deputado federal influente. Rogério foi presidente da Comissão da Educação, foi ministro. E eu não sou alinhado politicamente com Rogério. Eu sou adversário. Mas eu não reconhecer isso… Rogério é relevante. Se eu concordo com o Rogério, é outro jogo. Henrique Eduardo era relevante. Eu nunca fui apoiador das ações de Henrique. Mas não reconhecer que ter Henrique presidente da Câmara era importante para o Rio Grande do Norte? O que ele fez como presidente da Câmara para beneficiar é outra história. Se ele soube aproveitar, é outra história”, destacou.

Durante a entrevista, Kelps fez questão de afirmar que suas críticas não possuem caráter pessoal. “Não tem nada pessoal contra os deputados. Nada. Cada um tem sua trajetória, sua luta. Mas e o Rio Grande do Norte? Eu não posso defender o Rio Grande do Norte?”, questionou.

Em seguida, defendeu que os eleitores adotem critérios mais rigorosos na escolha dos representantes federais. “As pessoas devem escolher seus representantes do mesmo jeito que escolhem o médico para o filho com febre. Você quer qualificação técnica, competência, seriedade e compromisso”, argumentou.

Prejuízo a Allyson

Ao responder às críticas de que os ataques internos poderiam atingir Allyson Bezerra, Kelps reafirmou o vínculo político e pessoal com o pré-candidato ao Governo. Segundo ele, os adversários tentam explorar a situação para criar desgaste na candidatura estadual. O ex-deputado citou, inclusive, um vídeo divulgado pelo pré-candidato governista Cadu Xavier (PT), que utilizou o tema para fazer críticas ao campo oposicionista.

“Cadu quer fugir do debate principal”, afirmou. Na sequência, voltou a exaltar Allyson. “Allyson foi um excelente prefeito de Mossoró, o melhor da história. Eu estou com Allyson desde o início, quando ele andava num Golzinho. Eu acredito no que ele pode transformar no Rio Grande do Norte”, declarou.

As declarações reforçam, em parte, a linha adotada pelo próprio Allyson Bezerra na véspera. Em entrevista ao programa Comando 97, da rádio 97 FM, na terça-feira 23, o pré-candidato ao Governo também procurou minimizar os atritos na nominata da federação. “É normal existir uma ou outra animosidade”, afirmou, ressaltando que disputas semelhantes ocorrem em outras legendas e que o ambiente interno permanece positivo.