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Informe do Correio

Contrato levanta dúvidas

Confira os destaques da Coluna Informe do Correio, publicada na edição de O Correio de Hoje desta terça-feira, 10 de março de 2026
Por O Correio de Hoje
10/03/2026 | 13:42

Especialistas do setor jurídico avaliam que o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes — mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — apresenta valores muito acima dos padrões praticados no mercado de advocacia empresarial no Brasil. O acordo, estimado em R$ 129 milhões, passou a ser questionado após vir a público no final de 2024.

Após três meses sem se manifestar, Viviane divulgou nota detalhando os serviços prestados ao banco do empresário Daniel Vorcaro, que está preso preventivamente desde o último dia 4. Segundo o escritório, a contratação teria ocorrido entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período de 22 meses. Caso o valor total do contrato se refira a esse intervalo, os honorários mensais chegariam a cerca de R$ 5,8 milhões.

Informe do Correio

Para avaliar a compatibilidade dos valores, o jornal O Estado de S. Paulo consultou 13 escritórios de advocacia de renome nacional nas áreas penal e de compliance. A maioria considerou a cifra muito superior ao que normalmente é cobrado por bancas de alto nível. Mesmo estimando os valores máximos de mercado para os serviços descritos pelo escritório Barci de Moraes, especialistas calculam que o trabalho prestado chegaria a cerca de R$ 7,8 milhões — sem incluir custos adicionais com a implementação de código de ética ou processos sigilosos.

O mercado jurídico costuma operar principalmente com o modelo de cobrança por hora trabalhada, conhecido como time sheet. Nesse formato, para atingir o montante de R$ 129 milhões seria necessário que o escritório tivesse dedicado mais de 25 mil horas de trabalho ao Banco Master, considerando honorários de R$ 5 mil por hora — volume considerado pouco plausível.

Especialistas também afirmam desconhecer precedentes de contratos dessa magnitude para serviços semelhantes. Grandes operações empresariais envolvendo dezenas de advogados e duração superior a um ano frequentemente geram honorários inferiores. Em um caso de fusão e aquisição, por exemplo, um escritório recebeu cerca de R$ 8 milhões após trabalhar mais de um ano na operação.

Além da discrepância nos valores, advogados ouvidos pelo jornal apontam que o escritório Barci de Moraes não é amplamente reconhecido no mercado nas áreas penal e de compliance, o que aumenta a estranheza em relação ao contrato firmado com o Banco Master.

IR não melhora Lula

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil ainda não produziu os efeitos políticos esperados pelo governo. Pesquisa Datafolha mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades justamente no segmento de renda mais diretamente beneficiado pela medida: os trabalhadores que ganham entre dois e cinco salários mínimos.

Esse grupo representa quase dois a cada cinco eleitores da amostra e é considerado estratégico para o desempenho eleitoral do presidente. De acordo com o levantamento, 42% aprovam o governo Lula nesse estrato de renda, enquanto 55% o desaprovam. Considerando a margem de erro específica do segmento, de quatro pontos percentuais, a aprovação permanece tecnicamente estável, mas registrou oscilação negativa de dois pontos em relação ao levantamento anterior.

A pesquisa também revela mudança no cenário eleitoral. Em simulação de segundo turno dentro dessa faixa de renda, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente de Lula. O parlamentar venceria o presidente por 48% a 40%, resultado que configura empate técnico no limite da margem de erro, mas que representa uma inversão do cenário registrado em dezembro, quando Lula liderava por 47% a 40%.

Segundo o cientista político Antonio Lavareda, fundador do Ipespe, os números indicam que a ampliação da isenção do Imposto de Renda foi percebida mais como cumprimento de promessa de campanha do que como um benefício novo capaz de alterar a percepção econômica do eleitorado.

A sondagem também reforça o crescimento de Flávio Bolsonaro em diferentes segmentos sociais. O pré-candidato da direita ampliou sua vantagem entre homens, evangélicos e eleitores de renda mais alta.
Outro dado apontado pela pesquisa é a forte estabilidade das preferências políticas: nove em cada dez eleitores afirmam não se arrepender do voto dado na eleição de 2022, sinalizando para uma nova disputa presidencial acirrada.

A pesquisa Datafolha foi feita com 2.004 entrevistados entre 3 e 5 de março de 2026. A margem de erro geral é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e cada segmento tem uma margem própria. O intervalo de confiança é de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral com o protocolo BR-03715/2026.