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Polícia
VÍDEO: autor de chacina espalhou armadilhas em casa onde se escondeu
Uma das camas da residência estava desarrumada, dando sinais de que Lázaro Barbosa teria se deitado para descansar por algum tempo
Metrópoles
15/06/2021 | 07:47

Precavido e meticuloso, Lázaro Barbosa de Sousa, 32 anos, autor da chacina que vitimou uma família inteira no Incra 9, invadiu mais uma propriedade que estava vazia, na região conhecida como Areia dos Cardoso, em Cocalzinho, no Entorno do DF. A casa foi arrombada após o criminoso perceber que não havia ninguém na residência. Ele deixou armadilhas espalhadas pelos cômodos e assim alertar sobre a possível aproximação de qualquer pessoa.

Quando chegou ao local, o dono da chácara percebeu que a porta da residência havia sido forçada e apenas entrou após ter certeza que o criminoso já havia deixado o sítio. Nas imagens é possível ver que Lázaro usou móveis, utensílios de cozinha, copos e talhares para cercar portas e janelas de forma que se alguém cruzasse pela passagem derrubaria algum dos objetos e soasse um sinal de alerta.

Uma das camas também estava desarrumada, dando sinais de que ele teria deitado para descansar. Os proprietários ainda notaram que alguns objetos foram levados pelo criminoso, como sacos de pano, cobertores e mantimentos. “Certeza que era para fazer uma barraca no meio do mato. Ele viu que o tempo ia mudar. Certamente ele levou esse material para se proteger”, disse uma das fontes ouvidas pelo Metrópoles.

Na noite desta segunda-feira 14, houve uma troca de tiros entre Lázaro e um caseiro na região de Cocalzinho. O funcionário da chácara teria atirado mais de oito vezes contra o suspeito, que conseguiu fugir. Não há informações sobre feridos. Um grande efetivo policial está na área conhecida como Areia Branca.

O Metrópoles apurou que Lázaro teria pedido comida e o caseiro não quis dar. Ele efetuou disparos contra a janela da chácara e o funcionário revidou.

Lázaro é suspeito de matar Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Ele ainda sequestrou Cleonice Marques de Andrade, 43 anos, esposa de Cláudio e mãe das outras vítimas. O crime ocorreu na madrugada do último dia 8, no Incra 9, em Ceilândia.

O corpo dela foi encontrado no sábado 12, em um matagal. O cadáver estava sem roupa e com um corte nas nádegas, em uma zona de mata perto da BR-070. A orelha da vítima também acabou arrancada pelo suspeito e marcas de tiros foram localizadas na nuca de Cleonice.

As polícias do DF e de Goiás realizam um cerco há seis dias, com base em Edilândia (GO), Entorno do DF, para capturar o criminoso. No fim de semana, uma equipe da Polícia Militar chegou a se deparar com o foragido, mas ele trocou tiros com os militares e fugiu para o mato.

Nesse domingo, as corporações divulgaram imagens aéreas da atuação do grupo de buscas. As forças policiais estavam espalhadas em pontos estratégicos da região e ocuparam 17 fazendas, mobilizando 200 pessoas para as ações.

A população de Edilândia (GO) está apavorada com a possibilidade de Lázaro não ser capturado pela força-tarefa. Ao Metrópoles, moradores da região afirmaram que as chácaras estão praticamente vazias. Os chacareiros e trabalhadores estão deixando os locais por medo de uma possível invasão, já que o foragido é acostumado e conhece bem a região e estaria escondido na mata. Ele chegou a entrar em residências entre o sábado e a madrugada desta segunda-feira.

“Estamos vivendo momentos de terror e pânico. Apavorados. A polícia está mobilizada, mas não consegue prender esse homem. Enquanto isso, ele faz um estrago. Desde quinta 10 que ninguém da região sai de casa após as 18h. Estamos aguardando que ele seja preso ainda hoje. Caso não o capturem, eu não volto para a chácara onde moro”, disse Raquel Daniele Farias, 32, atendente de uma LAN house em Edilândia, que mora próximo ao município de Girassol, em uma área rural.

Desde que matou a família, Lázaro vem entrando e saindo de propriedades, fazendo novas vítimas. Ainda no Incra 9, em Ceilândia, ele invadiu outros dois locais. Obrigou os chacareiros a cozinharem para ele e até fumarem maconha com ele. Sempre agressivo, chegou a roubar um carro e incendiá-lo, próximo a Cocalzinho.

No sábado 12, ele invadiu a fazenda da família de um soldado do 8⁰ BPM, próximo à Lagoa Samuel. Ele fez o caseiro refém, quebrou tudo, bebeu e fumou maconha. Também obrigou o funcionário a consumir a droga.

Segundo a corporação, o soldado chegou à propriedade no início da noite, foi até a cancela e, provavelmente, ao abri-la, o homem fugiu, levando o caseiro como refém.

O criminoso seguiu para a fazenda ao lado, a cerca de 700 m, e baleou três homens. Havia no local uma mulher e uma criança. Testemunhas informaram que o suspeito da chacina colocaria fogo na casa e não o fez por causa das vítimas.

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