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Governo

“Vamos eleger Cadu Xavier governador”, diz Fátima Bezerra

Governadora do RN assume protagonismo na sucessão e declara apoio a ex-secretário de Fazenda para manter projeto no poder
Por O Correio de Hoje
27/04/2026 | 16:39

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), decidiu entrar de forma direta na disputa eleitoral de 2026 e afirmou que vai trabalhar para fazer seu sucessor no Governo do Estado. “Vou eleger Cadu Xavier governador”, declarou, citando seu ex-secretário da Fazenda, durante entrevista ao programa “Além da Notícia”, exibido pelas TVs Metropolitano e Trampolim.

Com a declaração, Fátima indica que vai assumir protagonismo na condução do processo sucessório. Ao longo da entrevista, a governadora combinou defesa de governo, reação a críticas e projeção de futuro, vinculando o desempenho de sua administração ao projeto político que pretende manter no comando do Estado.

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No campo fiscal, Fátima reconheceu dificuldades, mas atribuiu o cenário às dívidas herdadas. Para sustentar o argumento, fez comparação direta com outro estado. “Você sabe como o querido governador João Azevêdo recebeu a Paraíba? Com quase R$ 5 bilhões de superávit. Eu cheguei aqui foi com déficit. Só de folha em atraso, de R$ 1 bilhão. E o sucateamento generalizado das políticas sociais”, afirmou.

A governadora citou medidas adotadas para reequilibrar as contas, como a recomposição do ICMS, a lei que limita o crescimento da folha ao aumento da receita e o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi), apontado por ela como responsável por ampliar empregos e garantir a permanência de empresas no Estado.

Apesar de admitir que os problemas ainda existem, Fátima afirmou que o Rio Grande do Norte já apresenta sinais de recuperação. “Temos sim as dificuldades. Elas existem ainda, mas o dado concreto é que o Estado está no rumo certo. E o que está já projetado é crescimento da economia. Com os novos investimentos que estão chegando, associados a essas medidas que nós estamos tomando, eu não tenho nenhuma dúvida de que o Rio Grande do Norte vai sim conseguir seu equilíbrio”, disse.

Ao abordar sua avaliação popular, a governadora adotou tom de enfrentamento e atribuiu críticas a fatores externos. “Nós sofremos um ataque sistemático por parte da mídia corporativa que — não vou generalizar, mas na sua grande maioria — se comporta como uma imprensa partidária, como uma imprensa que tem lado. É um ataque sistemático do ponto de vista de desinformar. Ao invés de narrar o fato, respeitando a verdade, narra as fake news, destilando ódio, preconceito”, declarou. Ao mesmo tempo, reconheceu falhas na comunicação institucional e cobrou mudança de postura. “O governo precisa ir para cima”, afirmou, em recado direcionado à equipe e aliados.

Fátima também comentou o rompimento com o vice-governador Walter Alves (MDB). Segundo ela, a decisão dele de não assumir o governo teve motivação eleitoral. “Isso foi um movimento articulado exatamente para inviabilizar minha candidatura ao Senado. Eles sabiam que a vaga era minha”, disse.

Mesmo diante do episódio, demonstrou confiança no projeto político para 2026 e detalhou suas metas eleitorais. “O time do Lula é fortíssimo. Vou eleger Cadu Xavier governador e a vereadora Samanda como senadora. A federação vai fazer no mínimo três deputados federais e pode brigar pela quarta vaga”, afirmou. Ao mencionar o “time de Lula”, a governadora insere o Rio Grande do Norte no contexto da polarização nacional e vincula seu projeto ao campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante a entrevista, Fátima também recorreu à própria trajetória como elemento de legitimação política. Ao relembrar a infância em Nova Palmeira (PB) e a vivência com a seca, afirmou que sua origem influencia diretamente sua atuação no governo. “Sou a primeira governadora de origem popular do Rio Grande do Norte”, disse.

No balanço administrativo, destacou obras estruturantes, sobretudo na área hídrica. Citou a chegada ao RN das águas da transposição do Rio São Francisco, a barragem de Oiticica e o túnel Major Sales, cuja conclusão está prevista com a presença do presidente Lula nos próximos meses, classificando essas intervenções como parte central de seu legado.

Na área de infraestrutura, rebateu críticas sobre o andamento da duplicação da BR-304, obra realizada pelo Governo do Estado. “Já começou e está acelerada”, afirmou, em resposta a questionamentos da oposição sobre o ritmo de execução de obras no Estado.

Na educação, a governadora apontou investimentos em reforma de escolas, ampliação do ensino integral e valorização do magistério como pilares da política pública. Apesar de reconhecer a posição do Estado nos indicadores nacionais, projetou melhora nos resultados. “O ponteiro do Ideb já começou a subir”, afirmou, indicando expectativa de avanço nas próximas avaliações.