Quatro vezes candidato à Presidência, o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) afirmou no sábado que deve decidir, até o fim da primeira quinzena de maio, se disputará o Palácio do Planalto ou o governo do Ceará nas eleições de 2026. Apesar de não confirmar o caminho, o discurso adotado teve foco nacional, abordando temas como economia, Judiciário e a polarização entre PT e PL.
Ciro participou de encontro de pré-candidatos do PSDB, em sua primeira agenda pública após receber convite formal do presidente nacional do partido, o deputado Aécio Neves, para liderar uma chapa presidencial. Ao justificar a possibilidade de voltar à disputa nacional, ele relembrou a eleição de 2022, quando registrou seu pior desempenho entre as quatro campanhas presidenciais que já disputou. O ex-ministro afirmou que não teve condições equitativas de competição e disse que, não fosse a situação atual do país, evitaria retornar à política. Também declarou sentir-se “obrigado pelo apelo” da legenda.

“Na última eleição eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que me negou o próprio direito de participar. E eu, se tivesse juízo mesmo, não chegaria mais perto dessa quadra política fascista de lado a lado nem para dar os parabéns nem os pêsames. Nesse pleito é presidente ou governador. Um dos dois. No fim da primeira quinzena de maio, eu tomo a decisão.”
Quando recebeu o convite, Ciro já havia indicado que não descartava a candidatura, mas ponderou que a decisão dependeria de diálogo com sua base no Ceará, estado onde construiu sua trajetória política e no qual se posiciona como principal nome de oposição ao governador Elmano de Freitas (PT).
Ao defender sua possível candidatura, Ciro classificou o momento atual como o “pior momento histórico, sob o ponto de vista estrutural, da vida republicana brasileira”. Ele criticou o que considera convergência entre PT e PL na condução da política econômica — citando câmbio flutuante, metas de inflação e autonomia do Banco Central — e cobrou posicionamentos sobre o tema das terras raras, que definiu como “o petróleo do século XXI”.
“Que polarização é essa em que os dois defendem a mesma política econômica? É tudo igual: Lula 1, Lula 2, Lula 3, Dilma 1, Dilma 2, Bolsonaro, Michel Temer. O Brasil precisa de uma alternativa. Agora, eu não sei se sou eu, porque eu cansei. Eu perdi a crença nas mediações brasileiras.”