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Gestação

Vacinação de gestantes em Natal atinge apenas 30% do público alvo

Preocupação quanto à abstenção da vacinação de gestantes aumentou desde o retorno do surto de coqueluche
Redação
20/06/2024 | 14:35

A vacinação de gestantes na capital potiguar atingiu apenas 30% do público de aproximadamente 7.600 mulheres grávidas, grupo que tem as vacinas contra influenza, hepatite B, difteria, tétano e coqueluche inseridas como essenciais no calendário vacinal. A preocupação quanto à abstenção da vacinação de gestantes aumentou desde o retorno do surto de coqueluche em 2014, quando foram registrados no Brasil 8.614 casos da doença que se assemelha a gripes e resfriados comuns, mas que se caracteriza por longos acessos de tosse e pode ser fatal para bebês e crianças, por comprometer o sistema respiratório.


“O número preocupa pois é uma grande discrepância do esperado para a vacinação das mulheres no período pré-natal. A vacinação durante a gestação garante a imunização do bebê antes e depois do nascimento. Através do leite materno a criança continuará recebendo os anticorpos”, destaca Veruska Ramos, chefe do Núcleo de Agravos Imunopreveníveis (NAI) de Natal.

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Vacinação de gestantes em Natal atingiu apenas 30% do público alvo - Foto: Reprodução

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Ela também explica que as vacinas contra a hepatite B e a dTpa (tríplice bacteriana acelular tipo adulto) durante o período gestacional são administradas enquanto doses “extras”, como reforço do calendário, devidamente atualizado, da gestante. A dTpa é a dose reforço que deve ser aplicada a cada nova gestação da mulher e iniciada aos 2 meses de vida do bebê. “A mãe que não tem essa atualização do calendário vacinal está expondo o filho ao risco de um quadro de tétano neonatal”, alerta a chefe do NAI. O tétano neonatal é uma doença infecciosa aguda grave que acomete recém-nascidos nos primeiros 28 dias de vida.


Na Unidade de Saúde Básica (UBS) São João, na Zona Leste, a procura de gestantes por vacinas é diária, porém, menor do que o esperado. No período da manhã da terça-feira 18, apenas uma mulher foi até a UBS para se vacinar e, mesmo assim, tomou apenas uma das duas vacinas indicadas para o seu período gestacional.

“Percebemos que muitas mulheres não possuem a devida instrução. Alguns médicos não passam todas as vacinas. Essa é uma das possíveis causas para a redução de grávidas com a vacinação atualizada”, destaca Veruska.


Ela explica que o adiamento de vacinas se justifica em casos de gestantes imunossuprimidas, como portadoras do vírus HIV, por exemplo. Porém, nem assim a vacina é contraindicada. “Em caso de imunossupressão nós recomendamos adiar, não que tenha efeito colateral grave, mas porque a imunossuprimida pode não receber o imunizante da forma adequada”, ressalta.

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